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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 13 de novembro de 2022

Alterações climáticas: Cientistas alertam que é preciso agir rapidamente para proteger os insectos (e a espécie humana)

 Numa revisão científica publicada agora, na mesma semana em que decorre a Cimeira do Clima COP27, uma equipa com 70 cientistas, de 19 países, avisa que não há tempo a perder e é preciso agir rapidamente.


Se não forem dados passos para proteger os insectos face às consequências das alterações climáticas, isso irá “reduzir drasticamente a nossa capacidade de construirmos um futuro sustentável baseado em ecossistemas saudáveis e funcionais”, alerta este novo artigo, que analisou os resultados de pesquisas realizadas por todo o mundo.

Os autores do trabalho, publicado na Ecological Monographs, lembram que o aquecimento global e os eventos climáticos extremos já estão a pressionar algumas espécies de insectos rumo à extinção. E se nada for feito, as coisas só vão piorar. “Alguns insectos vão ser forçados a mudar para climas mais frios para sobreviverem, enquanto outros vão enfrentar impactos na sua fertilidade, ciclo de vida e nas interacções com outras espécies”, explica uma informação sobre a revisão agora publicada, divulgada pela Universidade de Maryland.

O problema é que essas “disrupções drásticas dos ecossistemas” podem reflectir-se nas pessoas, afirma Anahí Espíndola, um dos co-autores do artigo e ligado àquela universidade americana. “Precisamos de perceber, como humanos, que somos uma espécie entre milhões de espécies, e que não há razão para assumirmos que nunca nos vamos extinguir. Estas mudanças nos insectos podem afectar a nossa espécie de formas muito drásticas.”

Ondas de calor? Insectos estéreis

Entre os vários efeitos das alterações climáticas incluídos no âmbito desta revisão, está por exemplo o declínio de várias espécies de abelhões na América do Norte. “Os insectos de sangue frio estão entre os grupos de organismos mais afectados pelas alterações climáticas, porque a sua temperatura corporal e metabolismo estão fortemente ligados à temperatura do ar circundante”, explica Jeffrey Harvey, que liderou esta revisão.

Rainha de abelhão-comum (Bombus terrestris). Foto: Ivar Leidus/Wiki Commons

“A mudança gradual na temperatura global à superfície impacta os insectos na sua fisiologia, comportamento, fenologia, distribuição e interacções com espécies”, descreve o mesmo investigador, ligado à Universidade Vrije de Amesterdão e ao Instituto de Ecologia da Holanda, citado num comunicado desta última instituição.

Outro dos exemplos avançados é o efeito das ondas de calor sobre as moscas-da-fruta, as borboletas e os besouros-da-farinha (géneros Tribolium e Tenebrio). Estas espécies conseguem sobreviver, mas ficam estéreis e incapazes de assumir uma das suas principais funções: a reprodução.

Quanto aos serviços de ecossistema que podem acabar afectados pelas alterações climáticas, a equipa avança com três exemplos. Desde logo, os insectos reciclam os nutrientes e são um alimento para outros seres que estão mais acima na cadeia alimentar, incluindo os humanos. Em segundo lugar, o grupo dos polinizadores – como as abelhas, as moscas-das-flores e as borboletas – assegura o fornecimento de uma parte importante da comida a nível mundial. Em contrapartida, só os ecossistemas saudáveis é que evitam o crescimento descontrolado de pestes e de insectos portadores de doenças.

Borboleta cauda-de-andorinha (Papilio machaon). Foto: Dino/Wiki Commons

O que podemos fazer?

“Ao longo do tempo, os insectos precisam de ajustar os seus ciclos de vida sazonais e a sua distribuição, à medida que o mundo aquece”, acrescenta Harvey. “No entanto, a sua capacidade para fazer isso é prejudicada por outras ameaças de origem humana, como a destruição de habitats e a fragmentação dos mesmos, e os pesticidas.”

A equipa acredita que ainda é possível aos insectos sobreviverem às mudanças no clima. E entre as formas de ajuda que colocam em cima da mesa, estão várias que dependem dos cidadãos comuns. Por exemplo, cuidar de uma grande diversidade de plantas silvestres, e também fornecer comida e áreas onde os insectos se consigam abrigar de eventos extremos. Outra tarefa importante: reduzir o uso de pesticidas e de químicos em geral.

“A uma escala maior, precisamos de lidar com as alterações climáticas. Os programas de ‘rewilding’ também necessitam de planear micro-ecossistemas, que se foquem na preservação de pequenos animais como os insectos”, sublinha o mesmo responsável, que conclui: “São pequenas criaturas teimosas e devemos estar aliviados por ainda haver espaço para corrigirmos os nossos erros. Mas precisamos mesmo de lançar políticas que estabilizam o clima mundial.”

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