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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Há 390 anos, ficámos sem Bispo…

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Há muitas histórias curiosas neste soberbo território que é o distrito de Bragança. Muitas que, por falta de interesse, ou de divulgação, ficam «arquivadas nas gavetas do olvido». 

Quem alguma vez se tenha dado ao trabalho de verificar a sequência dos Bispos de Miranda, terá constatado que entre o 13º titular do cargo e o seu sucessor, o 14º, parece haver um largo interregno, entre 1636 e 1672. É um hiato de mais de três décadas, nas quais a Diocese de Miranda parece ter estado ao abandono, designada como «sede vacante». Mas não foi bem assim…

Este período englobou, grosso modo, a que viria a ser conhecida, numa fase inicial, por Guerra da Aclamação, sendo mais familiar, na actualidade, a designação de Guerra da Restauração. Que isto de festejarmos a nossa independência no dia 1 de Dezembro, tem muito que se lhe diga. Que a esse ano de 1640, seguiram-se 28 anos de conflitos com os vizinhos espanhóis, que não queriam largar mão do império que tinham «conquistado». Em termos efectivos, a independência só seria restaurada com a assinatura do Tratado de Lisboa, a 13 de Fevereiro de 1668. 

Muito devido a esse conflito, a nossa Sé de Miranda esteve vaga por tão longo período de tempo. Porém, em termos efectivos, esteve entregue ao Cabido, constituído pelos Cónegos da Sé, liderados pelo seu Deão. Não sem, no entanto, ter Bispos nomeados. Todavia, estes não estavam presentes, não apenas pelos desenvolvimentos do referido conflito entre Portugal e Espanha, mas também porque a sua nomeação era apenas régia, faltando a necessária homologação por parte do Papa. Aprovação essa que nunca chegaria, que o Reino de Espanha muita influência exercia junto do Papado, não deixando legitimar as escolhas feitas pelo nosso rei, que oficialmente, até à assinatura do dito Tratado de Lisboa, Portugal continuava a ser espanhol... 

E por que motivo trago aqui, hoje, neste primeiro dia do ano, este tema? Precisamente porque, de um dia 1 de Janeiro, há exactamente 370 anos, é datada a «carta de apresentação» de um novo Bispo de Miranda nomeado por D. João IV. Tratou-se de D. Estêvão da Cunha, cujo nome não consta, por falta de homologação Papal, da «Lista dos Bispos de Miranda». Um nome que era muito próximo no nosso monarca, pois fez parte da lista dos célebres «conjurados» que conduziram à referida Revolução de 1640. 

Personalidade que, para lá de ter sido Prior de S. Jorge, em Lisboa, Cónego da Sé do Algarve, um Inquisidor conhecido e, como dito, Bispo de Miranda nomeado, nos deixou uma curiosa correspondência com o Cabido de Miranda, a partir da qual podemos perceber algum «estado anárquico» no referido Cabido, ao longo desse ano de 1656. Correspondência essa na qual são mencionadas as discórdias entre os Cónegos da Sé, sendo-lhes pedido que «sejam amigos». Pedido que parece não ter tido consequências, pois na segunda metade de 1656, D. Estêvão da Cunha lamenta-se, em nova carta, pela persistência da desarmonia entre os Cónegos, renovando o pedido para que pusessem termo às divergências. Divergências estas que tinham motivações políticas e económicas… Mas isso é um tema que daria «pano para mangas», e o que me trouxe aqui foi a coincidência de, há exactamente 370 anos, no primeiro dia do ano de 1656, ser apresentado o novo Bispo de Miranda, que bispo não seria, efectivamente… 

Com os desejos de que os 364 dias que restam até à próxima Passagem de Ano, sejam fantásticos! 

(Foto: Museu da Terra de Miranda)


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

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