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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Iria escrever mais um “tantinho” sobre Bragançãos… Mas troquei-os por «Desabafãos»...

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


Deparei-me, hoje, com uma publicação onde consta uma citação que reflecte muito daquilo por que venho lutando. Apesar de, aí, ser atribuída, erradamente, a um dos meus maiores influenciadores nos âmbitos da História, da Etnografia, da Etnologia e da Linguística, especialmente com as suas incomparáveis obras «Pueblos de España» e «El Carnaval», a verdade é que a mesma consta n’«O livro do riso e do esquecimento», do incomparável Milan Kundera. Mas adiante… E a citação, aqui na versão original, é esta (e todo o Trasmontano, particularmente o de Trás-os-Montes Oriental, deveria lê-la e relê-la!):

«O primeiro passo para liquidar um povo é apagar a sua memória. Destruir os seus livros, a sua cultura, a sua história. Então, tenha alguém a escrever novos livros, fabricando uma nova cultura, inventando uma nova história. Muito antes a nação começará a esquecer o que ela é e o que ela era. O mundo em volta esquecerá ainda mais rápido. A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento.»

“Nim d’aprupósitu’e”, hoje também tive de me deparar com a «cartilha historiográfica do Estado Novo», que sempre reduziu a minha/nossa região a um mero apêndice dos conceitos contidos nos «lusitanos», nos «mouros», na «nacionalidade», na «reconquista», no «condado portucalense», nos «heróis» e, mais tarde, na «portugalidade». E tudo o que contrariasse esse conjunto de balofos conceitos era epitetado como «anti-nacional», e não valerá a pena referenciar o que acontecia a quem era catalogado como «anti-nacional»… Assim como «anti-nacional» era «falar mal Português», onde se incluía o Mirandés, o Guadramilés, o Rionorés, ou as diversas versões dos dialectos derivados do Ásturo-Leonês. Ou as manifestações de «Mascarados», vulgo «Caretos»… Salvaram-se os agora conhecidos como Pauliteiros, incluídos que foram no panorama do folclore nacional…

O que venho tentando fazer, por aqui e noutros âmbitos, é contrariar essa espécie de fatalidade. Que nos tenta reduzir a actores secundários, quando sempre fomos actores principais!!! Parecendo que há quem não fique muito agradado com isso... O que ainda mais me incentiva a defender o “falare da nh’ábó Maria”, bem como o Mirandés que deveria ser de todos nós! O que ainda mais me incentiva a defender a História ÚNICA que temos, as Figuras ÚNICAS que temos, o Património, Material e Imaterial, ÚNICOS que temos! Sem nunca menosprezar o orgulho que tenho em ser Português, mas sempre elevando a “proua” que tenho em ser de uma região Ásturo-Leonesa, com tradições Ásturo-Leonesas, com idiomas Ásturo-Leoneses, com genética Ásturo-Leonesa. E é isso que nos torna, não melhores nem piores, mas ÚNICOS!

Não sente, também, “proua” nisso? 

“Zculpim qualquera cousinha”, como diria a “nh’ábó Maria”… Todavia, há paixões irreprimíveis… 

(Foto: Valter Cavaleiro)


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

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