quinta-feira, 29 de março de 2018

Dizeres e Ditos na Carta Gastronómica de Bragança

Sr.ª Dona Maria Teresa Martins70 anos, vive em Gimonde. No seu parecer quando tinha dez anos era tudo muito horrível. Os pais e ela viviam com a avó e os tios, em dez anos nasceram sete filhos. Nessa altura os pais decidiram ir viver sozinhos, a mobília que possuíam coube num carro de bois: duas camas, uma arca e muitos cobertores.
Uma cama para os pais e a filha mais nova, na outra dormiam os restantes filhos, três à cabeceira e dois para os pés. Quando puderam os pais fizeram outra cama, uma ficou para os filhos, a outra para as filhas.
Era uma vida extremamente dura. Começou a trabalhar quando nasceu a irmã mais nova. Entrou para a Escola aos oito anos, depois ao sair da aula a tia levava-a para ir tomar conta das vacas. Aos dez anos passou a fazer lide da casa porque a Mãe estava com febre tifoide. Não havia dinheiro para comprar nada e as casas eram muito vazias, tristes. Pensei que as casas ricas eram melhores, mas pouco mais tinham. Pouca mobília, pouca roupa, pouca louça. Comia-se do mesmo prato, fundo. Pescavam barbos, bogas, escalos, sardas e às vezes enguias. As enguias desapareceram com a construção das barragens. Apanhavam os peixes com a rede, estripavam-nos, traziam-nos em cestos para casa, lavavam-nos muito bem lavadinhos, pesavam-nos e vendiam-nos. Chegou a vender um quilo de peixes por 50$00.
Tinham galinhas, gansos, patos, porcos e uma burra. Os gansos comiam-se na segada.

Carta Gastronómica de Bragança
Autor: Armando Fernandes
Foto: É parte integrante da publicação
Publicação da Câmara Municipal de Bragança

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