O rádio portátil (vulgo transístor) foi um dos primeiros grandes símbolos dessa mudança. Até então, a rádio era muitas vezes um equipamento fixo, colocado na sala e partilhado por toda a família. Com os modelos portáteis, surgia a liberdade de ouvir música, notícias e programas em qualquer lugar, na cozinha, no campo, na rua ou até nas idas ao rio no verão. Em Bragança, este pequeno aparelho tornou-se presença habitual nos cafés, nos jogos do GDB a ouvir os relatos, nos mercados e encontros de amigos, funcionando como elo de ligação entre o interior e as novidades do mundo.
O gira-discos trouxe para dentro de casa uma nova relação com a música. Em cidades como Lisboa ou no Porto, já existiam lojas especializadas, mas também em Bragança começaram a aparecer, sobretudo no final da década, pontos de venda de vinis. As famílias reuniam-se para ouvir fados, música popular ou, para os mais jovens, bandas internacionais que faziam furor. O ato de colocar um disco e ouvir um álbum do início ao fim era um ritual social e familiar. Na foto, nas margens do Fervença, é mesmo o meu primeiro gira-discos que o meu Pai comprou no Barreira/Chiquinha por 150 escudos. A minha Duquesa, que nunca me abandonava, também era assim mesmo. Só eu e o Fervença, estamos diferentes… agora e ambos para bem pior.
As cassetes, por sua vez, democratizaram o acesso à gravação e partilha de música. Com os gravadores de cassetes, qualquer um podia criar a sua própria “compilação”, as famosas mixtapes, gravando músicas da rádio ou copiando de outros discos. Em Bragança, isso permitiu aos jovens trocar música de forma informal, espalhando estilos que iam desde o pop e rock internacionais até à música tradicional transmontana.
Estas tecnologias não só modernizaram o entretenimento, como também ajudaram a aproximar Portugal, e localidades mais afastadas como Bragança, das tendências culturais globais. Foram também catalisadoras de um novo consumo cultural, mais pessoal e móvel, preparando o caminho para as revoluções tecnológicas que viriam nas décadas seguintes.
Obs: O meu gira-discos ficou nas velhas instalações do F.A.O.J. quando fiz o espólio... lá pelos finais dos anos 80. Felizmente há muitos amigos, aqui no Grupo, que se lembram bem das alegrias e companhia que este pedaço de plástico e tecnologia nos deu em tempos idos.

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