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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A Chegada de Novas Tecnologias Domésticas a Bragança


 Na década de 1970, Portugal e Bragança começaram a viver uma transformação no quotidiano doméstico com a chegada de novas tecnologias que, apesar de hoje parecerem simples, ou obsoletas, representaram na altura um salto significativo na forma como as pessoas se informavam e entretinham.

O rádio portátil (vulgo transístor) foi um dos primeiros grandes símbolos dessa mudança. Até então, a rádio era muitas vezes um equipamento fixo, colocado na sala e partilhado por toda a família. Com os modelos portáteis, surgia a liberdade de ouvir música, notícias e programas em qualquer lugar, na cozinha, no campo, na rua ou até nas idas ao rio no verão. Em Bragança, este pequeno aparelho tornou-se presença habitual nos cafés, nos jogos do GDB a ouvir os relatos, nos mercados e encontros de amigos, funcionando como elo de ligação entre o interior e as novidades do mundo.

O gira-discos trouxe para dentro de casa uma nova relação com a música. Em cidades como Lisboa ou no Porto, já existiam lojas especializadas, mas também em Bragança começaram a aparecer, sobretudo no final da década, pontos de venda de vinis. As famílias reuniam-se para ouvir fados, música popular ou, para os mais jovens, bandas internacionais que faziam furor. O ato de colocar um disco e ouvir um álbum do início ao fim era um ritual social e familiar. Na foto, nas margens do Fervença, é mesmo o meu primeiro gira-discos que o meu Pai comprou no Barreira/Chiquinha por 150 escudos. A minha Duquesa, que nunca me abandonava, também era assim mesmo. Só eu e o Fervença, estamos diferentes… agora e ambos para bem pior.

As cassetes, por sua vez, democratizaram o acesso à gravação e partilha de música. Com os gravadores de cassetes, qualquer um podia criar a sua própria “compilação”, as famosas mixtapes, gravando músicas da rádio ou copiando de outros discos. Em Bragança, isso permitiu aos jovens trocar música de forma informal, espalhando estilos que iam desde o pop e rock internacionais até à música tradicional transmontana.

Estas tecnologias não só modernizaram o entretenimento, como também ajudaram a aproximar Portugal, e localidades mais afastadas como Bragança, das tendências culturais globais. Foram também catalisadoras de um novo consumo cultural, mais pessoal e móvel, preparando o caminho para as revoluções tecnológicas que viriam nas décadas seguintes.

Obs: O meu gira-discos ficou nas velhas instalações do F.A.O.J. quando fiz o espólio... lá pelos finais dos anos 80. Felizmente há muitos amigos, aqui no Grupo, que se lembram bem das alegrias e companhia que este pedaço de plástico e tecnologia nos deu em tempos idos.

HM

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