Os anos passaram, e a aldeia de Outeiro continuou a viver sob a sombra das suas histórias antigas. Castramouro permanecia isolado, guardando o segredo da fraga e do tear dourado. Mas, para aqueles que tinham ouvidos atentos e coragem no coração, a princesa Moura nunca deixara verdadeiramente o mundo dos vivos.
Numa noite de lua cheia, quando o céu parecia feito de prata líquida, um grupo de aldeões subiu à fraga para ouvir o sussurro do tear. Entre eles estava Margarida, agora mais velha, que carregava a memória das visitas passadas e o respeito profundo pelo legado da Moura. À medida que se aproximavam, o som suave da tecelagem tornou-se claro, quase hipnótico.
A princesa apareceu, radiante, mais viva e etérea do que nunca. Cada fio de ouro no tear refletia histórias de amor, coragem e perda, iluminando o espaço com uma luz que parecia tocar a alma de todos que a viam. Mas naquela noite, algo diferente aconteceu. O tear começou a tecer sozinho, como se reconhecesse a presença daqueles que compreendiam a sua história.
- Esta é a última noite em que mostro meu rosto - disse a Moura, com voz que se misturava ao som da água e do vento. – O meu legado permanecerá no tear, em cada fio, em cada memória, mas já não precisarei de voltar a aparecer. O respeito, a coragem e a lembrança daqueles que vieram até aqui são suficientes para manter a história viva.
Os aldeões observaram, emocionados, enquanto a figura da princesa se dissolvia lentamente na névoa, deixando apenas o som do tear a pulsar como um coração eterno. Margarida sentiu uma lágrima escorrer, mas sorriu, compreendendo que a Moura não tinha desaparecido, permanecia viva na memória de Outeiro, nas histórias que o vento contava e no som dourado do tear.
Dizem que, desde naquela noite, Castramouro tornou-se um lugar sagrado. Ninguém ousa tocar os novelos, mas todos podem ouvir, se tiverem coragem, o canto eterno da Moura. Cada fio de ouro conta uma história, cada ponto carrega um destino, e cada som do tear é uma lembrança de que o passado e o presente estão entrelaçados, como as mãos de uma princesa que teceu não apenas ouro, mas a própria alma de Outeiro.
E assim, a lenda terminou, não com um fim, mas com um eterno continuar, o som do tear que nunca cessa, a água que corre incessante, e a Moura que, mesmo ausente, permanece no coração de todos os que acreditam no impossível. Quem se aproxima da fraga à meia-noite, ouve não apenas o som de fios a cruzarem-se, mas o eco de coragem, amor e eternidade, lembrando que algumas histórias nunca terminam, apenas se transformam, como a luz dourada refletida na água da fraga, para sempre.
FIM
N.B.: Este conto teve como base a Lenda de Outeiro "A Moura Encantada" e a colaboração, na construção do "esqueleto", da IA. A narrativa e os personagens fazem parte do mundo da ficção. Qualquer semelhança com acontecimentos ou pessoas reais, não passa de mera coincidência.

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