Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A Moura Encantada - Parte 6 – O Canto Eterno da Moura


 Os anos passaram, e a aldeia de Outeiro continuou a viver sob a sombra das suas histórias antigas. Castramouro permanecia isolado, guardando o segredo da fraga e do tear dourado. Mas, para aqueles que tinham ouvidos atentos e coragem no coração, a princesa Moura nunca deixara verdadeiramente o mundo dos vivos.

Numa noite de lua cheia, quando o céu parecia feito de prata líquida, um grupo de aldeões subiu à fraga para ouvir o sussurro do tear. Entre eles estava Margarida, agora mais velha, que carregava a memória das visitas passadas e o respeito profundo pelo legado da Moura. À medida que se aproximavam, o som suave da tecelagem tornou-se claro, quase hipnótico.

A princesa apareceu, radiante, mais viva e etérea do que nunca. Cada fio de ouro no tear refletia histórias de amor, coragem e perda, iluminando o espaço com uma luz que parecia tocar a alma de todos que a viam. Mas naquela noite, algo diferente aconteceu. O tear começou a tecer sozinho, como se reconhecesse a presença daqueles que compreendiam a sua história.

- Esta é a última noite em que mostro meu rosto - disse a Moura, com voz que se misturava ao som da água e do vento. – O meu legado permanecerá no tear, em cada fio, em cada memória, mas já não precisarei de voltar a aparecer. O respeito, a coragem e a lembrança daqueles que vieram até aqui são suficientes para manter a história viva.

Os aldeões observaram, emocionados, enquanto a figura da princesa se dissolvia lentamente na névoa, deixando apenas o som do tear a pulsar como um coração eterno. Margarida sentiu uma lágrima escorrer, mas sorriu, compreendendo que a Moura não tinha desaparecido, permanecia viva na memória de Outeiro, nas histórias que o vento contava e no som dourado do tear.

Dizem que, desde naquela noite, Castramouro tornou-se um lugar sagrado. Ninguém ousa tocar os novelos, mas todos podem ouvir, se tiverem coragem, o canto eterno da Moura. Cada fio de ouro conta uma história, cada ponto carrega um destino, e cada som do tear é uma lembrança de que o passado e o presente estão entrelaçados, como as mãos de uma princesa que teceu não apenas ouro, mas a própria alma de Outeiro.

E assim, a lenda terminou, não com um fim, mas com um eterno continuar, o som do tear que nunca cessa, a água que corre incessante, e a Moura que, mesmo ausente, permanece no coração de todos os que acreditam no impossível. Quem se aproxima da fraga à meia-noite, ouve não apenas o som de fios a cruzarem-se, mas o eco de coragem, amor e eternidade, lembrando que algumas histórias nunca terminam, apenas se transformam, como a luz dourada refletida na água da fraga, para sempre.

FIM

N.B.: Este conto teve como base a Lenda de Outeiro "A Moura  Encantada" e a colaboração, na construção do "esqueleto", da IA. A narrativa e os personagens fazem parte do mundo da ficção. Qualquer semelhança com acontecimentos ou pessoas reais, não passa de mera coincidência.

HM - com IA e IN

Sem comentários:

Enviar um comentário