O Governo português diz que ainda não foi notificado pelas autoridades espanholas sobre o projeto de exploração de volfrâmio na Galiza, situado a cerca de dois quilómetros do de Vinhais, avançou a agência Lusa.
A exploração será feita a céu aberto pela empresa Tungsten San Juan, filial galega da Eurobattery Minerals.
No site, esta empresa deixa a indicação que trabalhos preparatórios já começaram, e preveem o início da produção no último trimestre deste ano. António Sá, do movimento UIVO, defende que Portugal deve ser envolvido no processo de avaliação ambiental, sublinhando que se trata de um projeto com impactos transfronteiriços. “Enquanto não for feita essa comunicação do Governo espanhol ao Governo de Portugal, essa avaliação de impacto ambiental não vai ser feita. E como sublinham as associações galegas neste caso, as consequências negativas deste projeto são todas para o lado português. O facto de ser uma exploração a céu aberto e não em regime de galeria potencia os efeitos negativos para o nosso território. Obviamente, uma exploração a céu aberto tem um impacto e uma dimensão que são muito mais visíveis do que uma exploração em regime de galeria”.
A organização deixa, novamente, o alerta para os riscos ambientais, sobretudo para os recursos hídricos e para o Parque Natural de Montesinho. “Há dois ribeiros que são afluentes do rio Rabaçal, encontram-se sensivelmente a 200 metros da exploração mineira e logo a seguir entram no rio Rabaçal, que como se sabe tem quase todo o seu curso em território português, atravessando o Parque Natural de Montesinho, desaguando depois no rio Tua e ambos fazem parte da Bacia Hidrográfica do Douro. Portanto, a nossa posição é muito firme em relação a isto, nós estamos em contacto com outras associações galegas e há que dizer também que esta empresa sueca, a Eurobattery Minerals também já tem um histórico de comportamentos prevaricadores. Só resta ao Estado português e às entidades locais, no âmbito local, no âmbito regional e no âmbito nacional, fazerem pressão, continuarem a fazer pressão junto do Governo espanhol.
Uma pressão que o presidente da Câmara de Vinhais diz que está a fazer e vai continuar até obter respostas. “Já tínhamos feito uma tomada de posição, numa moção, num sentido de enviar para o Governo português, para a tutela, digamos, para vários ministérios, no sentido de saber se tinha havido algum pedido de autorização, se havia alguma informação sobre isto. Não obtivemos nenhuma resposta, é claro que isto preocupa-nos. Eu próprio tenho a intenção de, na próxima reunião da CIM, levantar esta questão e que a própria CIM também faça uma exposição ou tente saber, digamos, junto do Governo, aquilo que está a ser feito ou se está a ser feito alguma coisa, porque também é verdade que isto está a ser, não feito em Portugal, mas em Espanha”.
O autarca adianta ainda que vai levar o assunto à próxima reunião da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes com o Governo, marcada para o dia 20, em Lisboa.

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