A freguesia de Miranda do Douro continua a promover o curso “Artesão/ã de Artes Têxteis”, uma formação na qual participam 22 pessoas, mulheres e homens, interessados em aprender a costurar o burel, o tecido de lã de ovelha, que dá origem entre outras peças, às Capas d’honra Mirandesas.
Iniciado em maio de 2025, o curso “Artesão/ã de Artes Têxteis” tem como objetivo a preservação e transmissão a arte de trabalhar o burel. De acordo com Cristina Carvalho, da freguesia de Miranda do Douro, a formação destina-se a mulheres e homens, maiores de 23 anos, em idade ativa ou reformados.
“A formação começou com uma exposição teórica sobre a história do burel, o tecido grosseiro de lã, resistente e durável, tradicionalmente feito de forma artesanal para fazer, por exemplo, as Capas d’Honras Mirandesas. Nesta formação, uma das maiores satisfações foi verificar que entre os 22 formando(a)s, havia quem não sabia sequer utilizar uma máquina de costura e agora já aprenderam a costurar”, disse a autarca mirandesa.
Em Miranda do Douro, o curso “Artesão/ã das Artes Têxteis” é ministrado pela artesã, Palmira Falcão, em horário pós-laboral (20h30 às 23h00), dois dias por semana, às 2ª e 4ª feiras. A formadora, natural de Sendim, revelou que ao longo de oito meses de formação, os formando (a)s aprenderam a executar peças em burel, tais como porta-lápis, carteiras, porta-chaves, malas, tapetes, toalhas, alforges, miniaturas de capas d’honra e outros acessórios.
“Trabalhar e costurar o burel exige destreza e força nas mãos, porque é um tecido de lã mais grosso e difícil de manobrar”, disse a artesã.
Questionada sobre o processo de manufatura da capa d’Honras Mirandesa, Palmira Falcão explicou que é uma indumentária que demora cerca de um mês a confeccionar, porque é constituída por várias peças em burel.
“A confecção da Capa d’Honras Mirandesa começa com a escolha do tecido em burel, de cor castanha ou preta. Depois segue-se a idealização ou desenho da capa d’honras, com os vários detalhes. De seguida costuram-se as peças uma a uma: a frente, as abas dos lados, o capuz, a honra e em algumas capas, a racha atrás. No final monta-se ou costura-se a capa na íntegra”, explicou.
Na reta final do curso “Artesão/á de Artes Têxteis”, o objetivo é capacitar os formandos para a confecção das Capas d’honras Mirandesas. Um dos formandos, Ramiro Fernandes, natural de São Martinho, decidiu participar na formação em Miranda do Douro, para aprofundar os conhecimentos sobre a arte de trabalhar o burel.
“Anteriormente, frequentei formações em Alcañices (Espanha) dedicadas à manufatura da capa alistana. Por isso, decidi aproveitar esta oportunidade em Miranda do Douro, para continuar a aprender outras técnicas e instrumentos utilizados na confecção das capas tradicionais”, disse.
De Cércio, Maria Jesus Calejo, também veio participar no curso “Artesã de Artes Têxteis”, motivada pelo gosto pela arte da costura e um particular interesse pelas Capas d’honra Mirandesas.
“Gosto muito da costura e já fiz muitas peças de roupa. Sou natural do concelho de Mogadouro e sempre tive curiosidade e interesse pelo modo como se confeccionam as Capas d’honra Mirandesas. Ao frequentar o curso, para começar estou a fazer miniaturas das capas e com a prática espero costurar capas d’honra para os meus netos”, disse.
Da cidade de Miranda do Douro, a jovem Cíntia Robador, decidiu acompanhar a mãe, Estela, durante dois serões por semana, para aprender a costurar.
“Em maio do ano passado, quando iniciei o curso de Artes Têxteis não sabia sequer costurar! Passados oito meses, já aprendi a desenhar, recortar, a costurar e fazer várias peças, como porta-lápis, pega-alfinetes e neste momento estou a fazer uma mochila em burel”, disse a jovem mirandesa.
Questionada se no futuro próximo será capaz de manufaturar uma Capa d’honras Mirandesa, Cíntia Robador, respondeu que “sim”.
“Costurar o burel exige mestria no uso do calcador e uma grande sincronização das mãos com a máquina de costura. Por isso, acredito que, com prática e treino, um dia vou conseguir fazer uma Capa d’honras Mirandesa”, disse.
O curso “Artesão/ã de Artes Têxteis” decorre até meados de abril de 2026 e os trabalhos realizados pelos formando(a)s vão ser expostos na Famidouro – Feira de Artesanato e Multiatividades, que é organizada anualmente, durante o mês de agosto, pela Associação Comercial de Industrial de Miranda do Douro (ACIMD).


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