O Presidente do conselho de administração da VASP, Marco Galinha, disse que “não é viável distribuir jornais no interior do país”.
Ouvido, ontem, em comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, Marco Galinha, frisou que A VASP "está na iminência de cortar rotas” devido aos prejuízos económicos. “Tenho reunido com diretores de jornais, e de facto estamos na iminência de cortar rotas, porque não é viável distribuir jornais no interior do país. Não é viável. Nós não podemos substituir os deveres do Estado português. Nós estamos ao lado dos editores, dos pequenos empresários, microempresários, do interior do país, que são fundamentais para manter o emprego. Podemos estar da falar de mais de mil ou duas mil pessoas que vão perder os postos de trabalho. Isso não é preocupante? A VASP está a suportar, de facto, resultados recorrentes negativos no interior do país e as coisas estão-se a adiar constantemente. Eu, sinceramente, não sei mais o que fazer. Isto está-se a arrastar para chegar a um ponto de ser o fim da distribuição de jornais no interior do país”, vincou.
Marco Galinha sublinhou que a VASP é "um monopólio natural" porque todos os concorrentes faliram e lamentou que a queda do Governo tenha feito regressar o processo “à estaca zero”.
“Houve um anúncio público do Sr. Ministro Pedro Duarte que, em sete semanas, lançava o concurso, eu tenho a melhor das impressões de tudo o que aconteceu. O Sr. Secretário de Estado na altura, Carlos Abreu Amorim, fez um trabalho incrível, garantiu que ficou tudo feito, ficou tudo pronto. Mas aconteceu o que é tipo em Portugal. Houve aquele episódio em que o governo caiu e as coisas voltaram todas à estaca zero. Todas as reuniões que fizemos, parece que não serviram para nada. Garantiram que estava tudo feito, mas de facto não estava nada feito”, disse.
Também o administrador da VASP, Rui Moura, sublinhou que tudo fizeram para evitar esta situação, tendo comunicado “com todos os governos”.
“Veio aqui assim à Assembleia da República, falou-se com todos os grupos parlamentares que nos receberam, viemos isoladamente, viemos com a Associação Portuguesa de Imprensa, convidámos os deputados a visitar a VASP, escrevemos à Associação Nacional de Municípios, escrevemos a todos os municípios, escrevemos às comunidades intermunicipais. Temos comunicado desde 2021. Tudo isto tem sido mitigado apenas com custos absorvidos pela VASP, pagamento adicional dos editores, que começaram a pagar, a partir do final de 2021, uma pequena contribuição e os pontos de venda também a partir de 2021 passaram a pagar uma pequena contribuição para os custos de transporte, distribuição e entrega”, explicou.
O Presidente do conselho de administração da VASP garantiu ainda que a empresa de distribuição está preocupada com as populações do interior, mas alertou para as dificuldades crescentes do setor. A administração sublinha que a distribuição de jornais é uma atividade complexa e que atravessa uma fase de profunda transformação. Marco Galinha frisou que aguardam, agora, mais informações por parte do governo para resolver esta situação.
A VASP é a única distribuidora, de grande dimensão, de revista e jornais diários em Portugal.

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