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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

A FAINA DA APANHA DA AMÊNDOA

Olá gente boa e amiga!

Nos primeiros dias de Setembro estive de férias familiares, a refrescar as ideias, nas funções de pai e marido a tempo inteiro. Há já alguns anos que me refugio no Minho litoral e desta vez fui para Ofir (Esposende – Braga). Embora sejam praias com “ar condicionado”, mas muito ricas em iodo, tivemos sorte porque as temperaturas estiveram altas e sem o nevoeiro habitual nesta região. Além do Minho, também visitei a cidade de León (Espanha), onde tive como cicerone o Pedro, filho do tio António Rodriguez, de Asturianos da Sanabria.

No último fim-de-semana realizaram-se as últimas romarias de Verão na nossa região. No sábado, dia 14, festejou-se o Divino Senhor da Agonia, nos Chãos (Vale de Nogueira – Bragança), com as suas novenas muito participadas. No Domingo, dia 15, e por ser o terceiro do mês, realizou-se a festa da Santa Rita de Cássia, em Terroso (Bragança), onde por mais um ano fui a pé, juntando-me a centenas de pessoas nesta caminhada de fé, com cerca de 15 quilómetros, durante a qual tenho de tirar o chapéu à organização, pois durante o percurso nunca faltou o abastecimento de água, sumos, chá e café, mas também apoio médico.

Também no último fim-de-semana a localidade de Agrochão (Vinhais) realizou a festa do Divino Senhor Jesus da Piedade e Divino Senhor dos Passos, no santuário do cabeço, onde cada um tem a sua capela própria. Também a localidade de Candedo (Vinhais), teve a festa de Nossa Senhora das Dores, que este ano coincidiu com o seu próprio dia. No concelho de Bragança, a aldeia de Gimonde festejou a Santa Columbina, também com casa própria.

Na próxima segunda-feira, dia 23 de Setembro, às 8:50, é a hora oficial do início do equinócio do Outono boreal. Quem já anda nas vindimas, segundo nos contou o nosso tio José Carlos Pinto, são as pessoas das localidades do concelho de Tabuaço (Viseu). Por cá, como diz o adágio “para vindimar, deixa o Setembro acabar”, ou “em Setembro, ramo curto, vindima longa”, ou ainda “em Setembro, a comer e a colher”.

Fiquei muito contente ao saber do interesse da RTP em convidar, para o seu programa “Praça da Alegria”, a tia Ester da motoquatro, depois de terem lido a página que lhe dedicámos neste jornal, na edição de 13 de Agosto.

Quem esteve de parabéns nos últimos dias foi o senhor meu pai, Manuel Luís Sernadela (81); João Paulo Afonso (49), meu grande amigo e colega de trabalho; Domingos Castro (57), de Seara Velha (Chaves); Duarte Alves (38), de Prado Gatão (Miranda do Douro) e Leonor (75), de Souto da Velha (Torre de Moncorvo). Para todos muita saúde e paz, que o resto a gente faz.

Vamos agora ao tema desta semana, que tem a ver com a cultura da amêndoa.

Nos últimos dias temos tratado na nossa universidade da vida o tema da apanha da amêndoa, especialmente nos concelhos do sul do distrito de Bragança. O tio Ernesto Vieira, de Seixo de Ansiães (Carrazeda de Ansiães), lá anda na sua labuta da apanha da amêndoa, por  vezes só, com a vara na mão, outras vezes com a ajuda de amigos. O seu amendoal tem cerca de 250 amendoeiras e, segundo nos contou, este vai ser um bom ano de produção de amêndoa. Também nos confidenciou que antigamente era mais difícil escoar a amêndoa e por isso tinha-a muito tempo em casa.

Quem se dedica exclusivamente à produção de amêndoa e azeitona é o tio Humberto Rodrigues, de Sampaio (Mogadouro), marido da nossa prima Helena, que foi o primeiro elemento da nossa família. O tio Humberto trabalha na Casa Agrícola Vale de Covo, Lda. e disse-nos que o maior amendoal desta empresa, com 46 hectares e uma média de 270 amendoeiras por hectare, está situado na localidade de Viduedo (Mogadouro). Como é um amendoal recente, só 10 hectares é que já produzem. São todos amendoais de secadeiro sem rega. No próprio dia da apanha as amêndoas são levadas à máquina que as descasca e seguem para um armazém onde ficam três ou quatro dias a secar, sendo viradas duas a três vezes por dia. Actualmente a maior parte do trabalho da apanha da amêndoa é feito mecanicamente e só uma pequena parte é que se vareja à moda antiga. Toda a produção de amêndoa desta empresa é comprada pela Amendouro, em Alfândega da Fé, onde é partida (britada) e calibrada. De há uns anos a esta parte a casca de amêndoa também tem sido comercializada e usada como combustível em caldeiras e salamandras para o aquecimento.

Uma parte da produção de amêndoa da nossa região é destinada à exportação e a outra é usada para confeccionar várias receitas tradicionais, como por exemplo a “Amêndoa Coberta de Moncorvo”, recentemente eleita uma das “7 Maravilhas Doces de Portugal”, a par do “Mel Biológico do Parque Natural de Montesinho”.

Também nos têm dito que o consumo diário de uma mão-cheia de miolo de amêndoa (cerca de 25), contribui para uma boa saúde do coração, previne ganhos de peso e pode ajudar na prevenção de doenças como a diabetes e o Alzheimer. Os nossos tios também nos falaram numa mezinha muito antiga, para combater o ácido úrico, que consiste em cozer nove amêndoas inteiras, ou seja com a casca exterior, num litro de água e beber durante nove dias.

Tio João
in:jornalnordeste.com

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