Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

"A música é a minha "TeRAPia", cuida da alma"

Entrevista com Jorge Rodrigues, “MK Nocivo”, o artista de hip-hop que nasceu em Bragança, subiu a pulso, com vários prémios pelo caminho e que agora está no top mundial. O próximo álbum chama-se “TeRAPia” e vai se lançado no próximo ano.

DTOM: Entrevista com Jorge Rodrigues mas para o grande público MK Nocivo… Hip-Hop em bragança … como é que nasceu o MK Nocivo? No fundo existia um jovem em bragança e depois apareceu o MK como é que se deu esse processo?

MK:  É assim eu comecei a ouvir Rap em 98, por causa daquela altura, qualquer cidadão português da minha idade se deve recordar, por volta das seis da manhã havia as televendas a passar na televisão e havia uma compilação chamada Super Hits Of The 90's e passava um vídeo que era uma musica que era chamada  “It`s like that” dos RUN DMC… eles passavam quase o vídeo completo, aquilo era Rap, Rap na altura e misturava os elementos que era o Graffiti, o Breakdance, o MC e o DJ e eu fiquei vidrado naquilo, até cheguei a procurar a música, aquilo estava sempre constantemente, de manhã às seis da manha, seis e meia, antes de começar a emissão, quando aquilo passava, e a partir daí nasceu a minha paixão. Eu comecei com o Graffiti, foi em 2004 comecei a fazer Rap, em 98 comecei a ouvir, 2000 comecei com o Graffiti e em 2004 é que comecei com Hip-Hop, nestas ruas existem alguns graff`s da minha autoria, um bocado arcaicos, mas pronto. Em 2004 comecei com o Rap, com a produção e com a rima.

DTOM:  Que idade tinhas nessa altura?

MK:  18 anos.

DTOM:  Levantavas-te cedo, assim a essa hora, às seis da manha?

MK:  E às vezes ainda não tinha dormido … (risos)

DTOM:  É curioso porque te levantavas cedo, eu estava a imaginar durante a noite, mas afinal era de manha cedo …

MK:  Mas estamos numa fase inicial, estamos ainda no começo, no primórdio … imaginemos isto como um bebé. O meu conhecimento sobre a cultura, sobre o Rap … o meu conhecimento sobre qualquer um desses estilos era nulo, já se ouvia algumas coisinhas, mas só começou a partir daí mesmo a aprofundar…

DTOM:  Começou a tua paixão, foi …começaste a ouvir …

MK:  Sim… depois foi para o graffiti direto e gostava de ouvir a música …

DTOM:   E depois começaste como? começaste a fazer as músicas em casa, brincavas … começaste com o poema, exatamente como foi esse click inicial?

MK:  Eu quando era miúdo também já gostava de poesia, até cheguei a entrar num concurso de poesia, cheguei a ganhar um concurso de poesia, na altura para a rádio RBA, que agora já não está ativa, e sempre tive esse bichinho, sempre gostei de palavras a rimar, era engraçado, era diferente, mesmo aqueles ditados populares etc. A questão aqui no meio disto tudo, foi que era mais uma maneira de me exprimir naquela altura, com 18, 19 anos eramos putos revoltados… as vezes nem sabíamos porque estávamos revoltados, e tinha que se mandar aquilo ca para fora de alguma forma. Qual é que era o problema?! Um gajo tinha a vontade, tinha as letras, já tinha as ideias, não tinha aquela noção perfeita do ritmo, do etc., mas precisávamos de instrumentais. Ao precisar de instrumentais nós tínhamos de ir a sacar a net, ninguém nos fazia batidas, ninguém nos conhecia, eramos uns miudinhos … ninguém nos fazia batidas, ou pediam dinheiro… e nós íamos a net sacar aqueles instrumentais que vinham em formato free, que hoje está muito na moda, eram instrumentais onde toda a gente já tinha rimado … imensas pessoas já tinham cantado. Começamos assim, foi essa a base … o que é cheguei a um ponto, com algumas idas ao Porto e com outros contactos com alguns artistas de lá, ainda numa fase muito embrionária da nossa parte, mas fui apanhando algumas dicas … apanhando algumas dicas na parte da produção e comecei a aprender a produzir. Ao começar a aprender a produzir, 2005 já estava assim com umas bases bacanas… comecei a fazer os próprios instrumentais mesmo por necessidade, para não ter que estar a ir a net buscar instrumentais, para não ter que andar a pedir ao outro favores … “ podes arranjar aí um instrumental pá cena, não é contigo a música, mas podes arranjar um vídeo …”. Isso também era outro truque que era fazermos featurings com outras pessoas, tipo eles cederem os instrumentais e pronto fazer featurings. Numa fase muito inicial, era ainda o “Eskuadrão Furtivo”, eram os companheiros de escola e criamos isso… foi evoluindo e mais tarde já não havia esse problema, começámos a mostrar o nosso trabalho, nas musicas e já alguns produtores nos contactavam a nós, isto numa fase inicial na altura do Messenger, MSN, no “Bate Papo”, como se costuma dizer.

DTOM:  Só para os nossos leitores perceberem … tiveste essa fase inicial, em que ouvias música e depois começaste a fazer as gravações, fazias em casa, eras tu que as fazias?

MK:  Sim.

DTOM:  Isso foi antes ou depois, como é que foi …como chegou esse grande apelo de ir ao Rock Rendez Vous, em que começou uma grande aventura para o transmontano no Hip-Hop?

MK:  Eh paah!

DTOM:  Já fazias em casa, lembraste-te …

MK:  Sim…sim. E já tínhamos trabalhos, aliás eu já estava a fazer o meu trabalho a solo, nessa altura fazíamos trabalho em grupo, mas era mais naquela … quando um podia, o outro não podia… e juntávamo-nos todos, ia-se fazendo alguma coisa, nunca foi tão a sério porque eu tinha …

DTOM:  Estudavas …

MK:  Sim, mas não só … nesse sentido também, mas no sentido, por exemplo, enquanto eu fazia às vezes mais letras, se calhar eles faziam … e eu achei que poderia colocar aquilo num projeto meu, e pronto já tinha mais contacto, era mais ativo online, do que a maioria deles, e já ia contactando com mais pessoas … diariamente era bombardeado com ideias, “olha o que achas deste instrumental”, “olha poderias falar sobre uma cena assim… não sei o que, não sei que mais …”, e eu comecei a achar, ya posso fazer isso. E estive a preparar o meu álbum, fui gravar em Valongo, na altura fiz logo Featuring com o Fuse dos Dealema e também com o Psicótico, eram pessoas que eu já ouvia, que eram Rap português, eu comecei Rap americano, mas depois passei também para o Rap português, fui misturando tudo, fui procurando também, espanhol, francês … francês já foi mais problemático porque na altura não falava, hoje em dia já falo melhor, já percebo melhor algumas coisas que ouvia antes que gostava, mas não entendia e era, só ia la mesmo pela  Vibe e pelo que te transmitia, fazia sentir. E claro os videoclipes ajudavam imenso, mas era como se estivesse a ver um filme mudo.
E é isso começamos a criar, o rock rendez vous foi uma notícia que apareceu online, lembro-me perfeitamente a página demorava imenso a carregar e era para nos inscrevermo-nos … eu já tinha estado a estudar em Lisboa, já tinha lançado o meu primeiro álbum. Tinha estado a estudar em lisboa, técnico de espetáculos e conhecia algumas pessoas, uma delas foi o Xksitu, que me acompanharam, os meus colegas de trabalho ninguém podia ir, estavam todos a trabalhar nessa altura, ou ocupados. Então nós fomos ao rock rendez vous, eu fui com ele, ele conhecia o meu trabalho. Na altura eramos 4 finalistas, não me recordo mesmo do nome das bandas, mas … pronto. Uma delas era mesmo banda. Nós no Hip-Hop, é geralmente MC e DJ e eles era mesmo banda, guitarra, baixo e a bateria. Pensava que eles iriam ser os vencedores, e paah fizemos a nossa cena, eu na altura era a “Cidade do Pecado”, que era o single do meu álbum  e ele conhecia muito bem, uma musica referente a bragança o meu primeiro single, saiu em 2007, e nós pronto, fomos la tentar a nossa sorte … tudo muito bem, fomos os terceiros a atuar, os primeiros estavam fixe, os segundos também ao mesmo nível … a nossa atuação correu super bem , entram esses gaijos com a bando nós ficamos logo … uma moça a cantar refrões, o gajo fazer Rap…era uma banda de 7 elementos, eram bons…muito bons. Oh paah, já fomos! Nem sequer liguei mais ao assunto, fomos beber um copo. Eles não disseram os vencedores, era só suposto 3 semanas, se bem me recordo foram 2 meses… entrou então o Xksitu em contacto comigo, e perguntou se já haviam entrado em contacto comigo, ninguém tinha dito nada, já devia estar decidido … e lá com o seu sotaque “Oh paah… Mano tu ganhaste”, e foi essa a grande surpresa.

DTOM:  Depois do Rock Rendez Vous nasceu o primeiro álbum , onde foi gravado?

MK:   Não o primeiro álbum foi gravado em Valongo, fui la para um estúdio profissional e gravamos tudo lá, eu tinha as bases todas, instrumentais tudo preparado… estava só a faltar duas letras e no processo quando comecei a gravar as músicas, terminei essas duas que faltavam.

DTOM:  Esse álbum quantas músicas tinha ao todo?

MK:  Se não estou em erro 18 ou 19 … não tenho a certeza!

DTOM:  Como se chama o álbum?

MK: “Capítulo Obsceno” …não posso dizer porquê? Os meus álbuns são todos grandes, a não ser este último que tem 12 faixas.  

DTOM:  Foi com a vitoria no Rock Rendez Vous ou com o álbum que decidiste seguir o caminho da música?

MK:  É assim, nós já tínhamos todos aquela noção que fazíamos alguma coisa bem e isto foi mais ou menos a aprovação de terceiros, neste caso do grande público, mas sim nós já tínhamos aquela confiança, não confundir confiança com vaidade, mas estávamos com aquela ideia que alguma coisa conseguíamos fazer, não íamos mesmo com a ideia de ganhar, e isso mais tarde voltou-se a repetir quando foi do Nos Alive, uns anos depois… já falaremos disso. Ninguém ia com ideia de ganhar, fomos tentar a nossa sorte, mostrar o nosso trabalho. A nossa ideia era mais isso, chegar lá, mostrar quem somos e estamos aqui, e mesmo que não ganhássemos já ficam a saber quem são os “Esquadrão Furtivo” …

DTOM:  Exatamente …

MK:  … acabou por ser “MK Nocivo & Xksitu”, nós é sempre tentar não ir a baixo, tenho até uma rima num trabalho novo que vai sair agora, que é “ não te desvalorizes já sabes que eles vão faze-lo”, tu próprio não te desvalorizes, terceiros vão faze-lo, portanto, paah tentar não ir abaixo, tentar ter sempre a cabeça erguida, eu não estaria aqui 15 anos depois, nunca tive aquele grande break devido às condições de morar aqui etc. mas se não fosse mesmo por amor, já não estava aqui.

DTOM:  A música é uma paixão, a tua música é uma paixão para ti. Depois desse primeiro álbum, a seguir o que fizeste?

MK:  Fiz álbuns e MIXTAPES

DTOM:  Fizeste Mixtapes, e depois ai foste finalista do Sumol Summer Fest …??

MK:  Fomos a final, mas não ganhamos.

DTOM:  Também já é bom …

MK:  Compreendo, o Sumol nesse ano estava virado para o Reggae, até queria enviar um abraço para eles, e para o pessoal do Sumol e nós fomos à final com 3 bandas Reggae …

DTOM:  Foram os melhores do Hip-Hop …

MK:  Melhores, acho que eram 150 bandas a concorrer, foram 4 só à final. Mais uma vez não íamos com intenção de ganhar, fomos mesmo pela viagem …

DTOM:  De qualquer maneira vem depois, no ano a seguir o Nos Alive, e acabaram por ganhar mais uma vez … isto, não podeis ir a mais concertos, concursos, digamos… porque ganhais isso tudo (risos).

MK:  Nós tentamos, eu quando estou em palco dou o litro, prefiro chegar a casa todo roto, todo …

DTOM:  Não é só da performance em palco, é também da música e da letra, não é?

MK:  É escolher a música ideal para os sítios ideais, por exemplo, eu tenho um reportório para tocar num sítio calmo, tenho outro para tocar num sítio festivo e se calhar tenho um reportório para tocar num sítio interventivo, por exemplo, no Avante! Quem diz no Avante, diz numa manifestação qualquer … tenho reportório para isso, consigo se calhar tocar numa sala com vocês sentados e eu sozinho no palco, uma cena mais intimista, consigo tocar numa semana académica, consigo tocar num sítio mais festivo, por exemplo, uma Rave…

DTOM:  Tu quando tocas és tu sozinho, ou tens mais elementos?

MK:  Tenho o meu parceiro do crime, DJ 90 Cutz.

DTOM:  Estes prémios, para ti são uma medalha no peito, não é? Mas também são uma responsabilidade, como encaras essa situação?

MK:  Como qualquer outra, são cenas que nos correm bem, há outras que correm mal. Eu tinha aí… já tive aí grandes esperanças e estar a fazer uma música e a pensar mesmo, dei mesmo o meu litro nisto, isto vai ser mesmo fixe e depois flop… também já tive o contrário com a “Filha de Emigrantes” nunca pensei que fosse, e foi … com o “Soldado da Paz” idem. O Soldado da Paz foi uma música que tinha que ser feita, o Rap tem que ter intervenção, tem que ser interventivo. Ainda por cima um dos bombeiros que faleceu era um colega que passava diariamente por mim nos corredores da escola superior de educação, eu tinha que falar … e quando foi na Carta de Um Dux exatamente a mesma coisa, eu tinha de falar. Eu era Ducks naquele ano, eles escreveram uma carta que rolou pela internet, “Carta para um Ducks” eu li aquilo, achei completamente injusto, estavam a generalizar imenso com situações da praxe, que não se aplicavam a todo o lado, e resolvi escrever a Carta de Um Dux resposta a Carta de Um Dux. Muitas pessoas não sabem, porque eu também não quis revelar para ver quem chegava lá, pô-los a pensar um bocadinho.

DTOM:  Depois disso, quantos álbuns já fizeste ao todo?

MK:  São 5 Mixtapes e dois álbuns de originais…

DTOM:  Isso dá mais de 100 canções!

MK:  Sim, mais as participações nos álbuns dos outros, e as faixas soltas. Só este ano em faixas soltas já vou em 7.

DTOM:  Isso faz de ti, talvez o nome mais importante do Hip-Hop transmontano sem dúvida, com uma grande projeção nacional, certo?

MK:  E internacional.

DTOM:  E é isso que íamos lá … e internacional.

MK:  Agora estou a focar-me muito a trabalhar com o pessoal dos Estados Unidos.

DTOM:  Já temos MK um transmontano com grande nome no Hip-Hop, nascido aqui em Bragança, isto é um feito, algo que marca, a nível nacional já tinhas conquistado com estes prémios, que é um reconhecimento nacional, como é obvio, mas agora nós queremos saber da tua carreira internacional.

MK:  É assim, eu na França…

DTOM:  Estás a viver na França agora?

MK:  Sim, estou a residir em Paris, mudei-me há 2 anos … eu por acaso tive sorte, também fruto do trabalho que apanhei lá com malta que já trabalhava com alguns que estavam lá, nomeadamente o Dj Idem e a partir daí fui introduzindo outras pessoas, Dj Poska, … e no meio desta malta, também fui introduzindo novamente a outras pessoas que não estão presentes em Paris, mas que visitam de vez em quando. Estamos a falar de artistas Supa Yaway, nomeadamente é de Washington, pronto, eu estou a trabalhar com bastantes artistas americanos e também com artistas franceses, e com portugueses. O mais recente foi até com Don Falcon, também é português e está em Paris e estou a trabalhar com o Grupo Go Fast Gang e pertenço à crew Go Fast Global, estamos a fazer o nosso trabalho. Vai haver provavelmente uma boa hipótese de eu começar a fazer algumas das minhas rimas em inglês, porque eles disseram-me que teriam um bom plano de internalização.
A minha ideia é essa continuar, nunca largar a língua, mas para fazer essa tal conquista mundial, que seria bom, seria ótimo, tem que se expandir um bocado os horizontes, temos que ser conscientes que nem toda a gente fala português.

DTOM:  Porque a tua música é essencialmente em português …

MK:  Eu penso que traduzindo à letra, consigo fazer o mesmo em inglês, é uma questão de tentar, claro, mas penso que consigo fazer o mesmo.

DTOM:  Estás a viver em França, por uma questão económica como toda a gente, ou foste para frança por motivos musicais, foi a música que te levou?

MK:  Foi, de certa forma ambas, um pouco de cada lado. Não que estivéssemos muito mal aqui, mas estamos melhor lá. Na parte musical, sim, sem dúvida temos muitas mais hipóteses lá, estamos a falar do 2º mercado mundial no que toca a Rap, Hip-Hop… neste caso Hip-Hop é cultura, Rap é p que consumimos em termos de música. O meu único impasse, eu ainda não domino o francês, é complicado dominar o francês acredite! Como já percebo, já consigo fazer um bom trabalho com inglês mesmo nível comunicação, mesmo a nível de escrita, acho que vou investir também um pouco no inglês.

DTOM:  O teu público, não se dirige só aos emigrantes portugueses é a comunidade francesa no geral, é ao mundo todo?

MK:  Direcionado para os portugueses como para a comunidade francesa, os concertos são realizados no exterior de Paris, não tanto no centro, mas sim é de um modo geral. Não podemos só abranger um público, temos de tentar abranger mais.

DTOM:  Vamos falar de uma coisa que tenho interesse em saber, vamos falar do teu processo criativo… como é que tu crias as músicas, é um sentimento, algo que tu ouves, o que fazes primeiro, crias primeiro o poema em papel, a música, gravas, como é esse processo criativo?

MK:  Eu tenho um pouco de tudo, eu costumo andar sempre com o telemóvel e acontece que na rua, sou bastante observador e quase tudo me dá uma perspetiva engraçada, quando é para fazer rimas de ataque, ou rimas de batalha ou então na perspetiva de introspeção ou de narrador. Narrar , eu opto um bocado por cada uma tipo, tenho um pouco de tudo… faço que não posso dizer … se calhar o que tenho menos é aquele tipo de rap “Love”, musica de amor, se calhar é o que tenho menos, mas pronto, geralmente eu opto … começo, vou na rua, tiro uns apontamentos para o telemóvel, isso acontece muitas vezes. Quando se trata de sentar para fazer mesmo um tema, tenho de ter sempre o instrumental primeiro.

DTOM:  O instrumental é primeiro? Crias ou ouves da net?

MK:  Produtores amigos meus tem lá dezenas, aliás, centenas de instrumentais e nesses produtores todos por aí, também faço os meus. Quando é um que eu sinto mesmo, que se enquadra com qualquer coisa que eu quero dizer no momento, uso o meu. Geralmente uso de outros produtores, de todos os temas mencionados, deve haver uns 6 ou 7 músicas com instrumentais meus, não tem mais. Eu sei admitir quando há pessoas que são melhores do que eu, e é mesmo isso… nós queremos o melhor para o nosso trabalho.

DTOM:  Portanto, mas tu fazes primeiro o poema, imaginas a poesia?

MK:  Posso ter uma base, posso ter uma ideia, por exemplo, às vezes numa frase vem uma rima, uma música inteira. Depende da frase, se a frase for “As voltas que a vida dá…”, o que se pode pegar por aí, centenas de coisas … a música pode chamar-se só “Voltas”, e pronto, é só fazer o trocadilho por aí. Ao ter esta ideia, do que nós poderemos pegar, já podemos ter uma ideia como poderia soar, uma coisa alegre, triste… melancólica, pesada? A partir daí a gente gira. Claro que há aquelas coisas também, vemos um filme inspira-te, vais na rua vês uma situação, por exemplo, de caridade ou de interajuda … inspira-te. Isso ou se toma logo apontamento, ou pronto ter o instrumental e mudar logo o nome ao instrumental, e fica com aquele nome, já sabes que tens um tema que vais ter de escrever, quando fores na rua e vires alguma coisa já vai para aquela pasta, para aquele tema.

DTOM:  Vamos falar do processo inspirativo,  a tua inspiração tem a ver com a tua infância em Trás-os-Montes em Bragança, tem a ver com alguma revolta que sentiste, tem a ver com os pais, com os amigos, com a vida, com a falta dela… esses momentos vêm de alguma nostalgia?

MK:  De tudo o que me rodeia.

DTOM:  Absorves ideias do meio que te rodeia?

MK:  Exatamente, é mesmo isso. não dá para dizer que é só de um sítio, porque estaria a mentir, o que disseste mais correto, pronto é isso, “É a vida” … tudo que se passa, raiva, revoltas, emoções, desgostos, traições, tristezas, alegrias, tragedias … tragedias, o pessoal diz que tenho jeito para isso, consigo colocar-me bem no papel da pessoa, pronto, eu também acho que sim, sou um narrador presente por assim dizer, a história não é comigo, mas eu estou a falar na primeira pessoa, geralmente eu costumo dar a dica na música, não costumo fazer histórias inventadas, histórias da carochinha, claro também se podem fazer. Eu gosto muito do real, o meu próxima música do meu álbum vai se chamar “Real”.

DTOM:  Aí é, vai se chamar Real? Vamos falar então agora desse … do futuro, sobretudo daquilo que tens agora em mente, o próximo álbum, quando é que vai sair, temas, lançamento em França ou Portugal?

MK:  Vou lançar agora, vai ser lançado em França, desta vez nem optar por formato físico, ou tudo em plataforma digital ou então num formato diferente, mas também não vou dizer qual é o formato se não estragas-me o marketing. Tenho lá uma mega ideia …

DTOM:  Conta lá algo de novo, o nome do albúm?

MK:  Tenho uma mega ideia paah! Aquilo vai ser mesmo … oh paah! É como se fosse, mal compras podes chegar logo ao carro e ouvir, mas não é um CD, tenho, aí uma boa ideia.

Se conseguir sair tudo como planeio sair o álbum, até posso dizer o nome do álbum, vai-se chamar “TeRAPia”, vai ser uma coisa engraçada porque, a música é a minha terapia, cuida da alma. Se um gajo não tivesse o Rap já tinha andado aí no psicólogo não sei, mas é o que eu te digo, é pegar, meter tudo que nós temos da vida e descarregar para lá. Se fores ver as músicas todas, falaste da cena do passado, tens “A brincadeira de criança”, falaste a cena da região, tens a “Trás-os-Montes”, falaste a cena da vida, tens a “Não entendo” … “Questões da vida”, “Filha de emigrante, podia estar aqui o dia inteiro.

DTOM:  Futuro, imediato?

MK:  Não, só tenho duas músicas ainda, não posso adiantar data … já tenho as ideias praticamente todas que quero lançar…

DTOM:  Não digas o dia certo, mas este ano?

MK:  Não … não posso dar datas, mas talvez para o final do próximo ano.

DTOM:  E acurto prazo oq eu andas a fazer?

MK:  Acabamos de gravar um videoclip da "Não Suporto" foi gravado com o C57 no Kartodromo de Bragança. na semana seguinte temos a gravação com o mestre Paulo Neiva, mestre de Kung-Fu no Budogym. A música vai-se chamar “O Pior Inimigo”, na mesma com C57 de Mirandela, com quem colaboro bastante, e vai sair no final de agosto uma participação minha no álbum do Saraph Sunman da Carolina do Sul (USA), para já a curto prazo são esses.
Vamos lançar também, em setembro, inicios de Outubro um single “Different II”  e é com os Go Fast Gang e a Ivaanyh, e tenho mais algumas participações com artistas franceses e americanos …

DTOM:  A música não é para desistir?

MK:  Eu costumo dizer … enquanto tiver voz não me doer, tiver voz e coração!

DTOM:  Grafitis vais continuar a fazer?

MK:  Não…eu costumo dizer, MC até ser avó, já não é para mim (já me treme a mão).

Risos

DTOM:  Alguma coisa que gostasses de dizer?

MK:  Agradecer a toda a gente, que continua a seguir o meu trabalho. Vou trazer umas novidades engraçadas, é só passarem no meu Facebook, Youtube, Twitter, Instagram, é tudo MK Nocivo … e estamos ligados!

Entrevista e fotos de António Pereira
Algumas fotos cedidas por MK Nocivo
in:diariodetrasosmontes.com

Sem comentários:

Enviar um comentário