Por: António Pires
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Numa sociedade culturalmente machista, como o é a nossa, há determinadas “conquistas” que se têm vindo a fazer paulatinamente. Muitos daqueles que, até há bem pouco tempo, achavam que “o lugar da mulher era na cozinha”, conseguiram libertar-se (para melhorar, vamos sempre a tempo, como diz o povo) da ditadura do preconceito e das ridículas “verdades” tidas por universais.
Na sequência duma publicação a propósito deste mesmo assunto, aqui feita no Memórias, na semana passada, comentei, com base em argumentos que julgo irrefutáveis, que, ao contrário do que está “institucionalizado”, o Sexo Forte é a Mulher, e não o Homem.
No passado sábado, dia 10, fui ver o meu Grupo Desportivo de Bragança (GDB), para a Taça de Portugal, competição em que, se não estou em erro, há 5/6 anos não íamos além da primeira eliminatória. Mesmo que não houvesse outra razão, esta da “mala pata” seria uma das que justificavam ir ao estádio apoiar o clube de coração.
À entrada, de caras para o relvado, apercebi-me, com agradável surpresa e satisfação, que o jogo ia ser apitado por um trio feminino, da Associação de Arbitragem do Porto. A Árbitra, de nome Sara Alves, era auxiliada por Paula Pereira e Bibiana Soares.
Fiquei de tal forma maravilhado com o trabalho das jovens, que, para o qualificar, só poderei usar o adjectivo “irrepreensível”. Tecnicamente do melhor que vi até hoje – o termo de comparação serve também para os jogos da primeira liga -, esta árbitra (o mérito é, naturalmente, repartido) deu uma verdadeira lição de bem apitar e de pedagogia, demostrando que a Autoridade e o Respeito não se exigem nem se reclamam; conquistam-se pelo exemplo.
Ainda que tivesse havido, numa ou noutra situação, algum lance passível de sanção disciplinar, a jovem Sara não exibiu um único cartão. Esta faceta da não amostragem de cartões, ao contrário do que defendem esses grandes catedráticos da bola, que pululam fastidiosamente nas TV´s, é a prova evidente de que é possível controlar disciplinarmente um jogo, sem o recurso à “medida mais gravosa”.
A árbitra Sara Alves dirigiu o jogo com muito nível e personalidade, com o à vontade de quem bebe um fino numa esplanada. Sempre que foi necessário dar “um puxão de orelhas” aos jogadores (a rapaziada, dum lado e do outro, portou-se bem), fê-lo não com aquele ar intimidatório e arrogante, muito comum nos seus colegas “primodivisionários”, mas com classe, sempre com um sorriso contagiante e bem - disposta.
No final do jogo, senti uma vontade enorme de dar um xi – coração arrotchado a essas três miúdas, por terem dignificado a Mulher e a instituição Arbitragem, tão pouco credível, aos olhos dos adeptos de futebol. Como, naturalmente, não tive oportunidade de o fazer, presto-lhes, desta forma, o meu singelo tributo.
Quando, há meia dúzia de anos, se começou a falar na possibilidade das mulheres virem a apitar jogos de futebol, cheguei a perguntar aos meus amigos, em tom de brincadeira, se aqueles adeptos cuja sanidade mental é duvidosa, e em caso de se sentirem “roubados”, também as vão “brindar” com aqueles impropérios escabrosos. Como, até ao jogo do Bragança – Monção, não tinha tido a possibilidade de satisfazer a minha dúvida, eis que, da bancada central do meu clube, veio a desconcertante resposta. Sim, infelizmente há uma espécie de gente capaz de dizer às Saras, às Paulas e às Bibianas (que poderiam ser suas filhas), “ ó sua p…, vai p´ra casa lavar a louça!”.
Confesso que me deram náuseas. A vergonha alheia apoderou-se de mim, e disse para comigo: “não, isto não está a acontecer!”. Mas estava. Contei até dez, respirei fundo e lá me acalmei, com o golo da vitória, festejado efusivamente.
Na sequência duma publicação a propósito deste mesmo assunto, aqui feita no Memórias, na semana passada, comentei, com base em argumentos que julgo irrefutáveis, que, ao contrário do que está “institucionalizado”, o Sexo Forte é a Mulher, e não o Homem.
No passado sábado, dia 10, fui ver o meu Grupo Desportivo de Bragança (GDB), para a Taça de Portugal, competição em que, se não estou em erro, há 5/6 anos não íamos além da primeira eliminatória. Mesmo que não houvesse outra razão, esta da “mala pata” seria uma das que justificavam ir ao estádio apoiar o clube de coração.
À entrada, de caras para o relvado, apercebi-me, com agradável surpresa e satisfação, que o jogo ia ser apitado por um trio feminino, da Associação de Arbitragem do Porto. A Árbitra, de nome Sara Alves, era auxiliada por Paula Pereira e Bibiana Soares.
Fiquei de tal forma maravilhado com o trabalho das jovens, que, para o qualificar, só poderei usar o adjectivo “irrepreensível”. Tecnicamente do melhor que vi até hoje – o termo de comparação serve também para os jogos da primeira liga -, esta árbitra (o mérito é, naturalmente, repartido) deu uma verdadeira lição de bem apitar e de pedagogia, demostrando que a Autoridade e o Respeito não se exigem nem se reclamam; conquistam-se pelo exemplo.
Ainda que tivesse havido, numa ou noutra situação, algum lance passível de sanção disciplinar, a jovem Sara não exibiu um único cartão. Esta faceta da não amostragem de cartões, ao contrário do que defendem esses grandes catedráticos da bola, que pululam fastidiosamente nas TV´s, é a prova evidente de que é possível controlar disciplinarmente um jogo, sem o recurso à “medida mais gravosa”.
A árbitra Sara Alves dirigiu o jogo com muito nível e personalidade, com o à vontade de quem bebe um fino numa esplanada. Sempre que foi necessário dar “um puxão de orelhas” aos jogadores (a rapaziada, dum lado e do outro, portou-se bem), fê-lo não com aquele ar intimidatório e arrogante, muito comum nos seus colegas “primodivisionários”, mas com classe, sempre com um sorriso contagiante e bem - disposta.
No final do jogo, senti uma vontade enorme de dar um xi – coração arrotchado a essas três miúdas, por terem dignificado a Mulher e a instituição Arbitragem, tão pouco credível, aos olhos dos adeptos de futebol. Como, naturalmente, não tive oportunidade de o fazer, presto-lhes, desta forma, o meu singelo tributo.
Quando, há meia dúzia de anos, se começou a falar na possibilidade das mulheres virem a apitar jogos de futebol, cheguei a perguntar aos meus amigos, em tom de brincadeira, se aqueles adeptos cuja sanidade mental é duvidosa, e em caso de se sentirem “roubados”, também as vão “brindar” com aqueles impropérios escabrosos. Como, até ao jogo do Bragança – Monção, não tinha tido a possibilidade de satisfazer a minha dúvida, eis que, da bancada central do meu clube, veio a desconcertante resposta. Sim, infelizmente há uma espécie de gente capaz de dizer às Saras, às Paulas e às Bibianas (que poderiam ser suas filhas), “ ó sua p…, vai p´ra casa lavar a louça!”.
Confesso que me deram náuseas. A vergonha alheia apoderou-se de mim, e disse para comigo: “não, isto não está a acontecer!”. Mas estava. Contei até dez, respirei fundo e lá me acalmei, com o golo da vitória, festejado efusivamente.
António Pires
Residente em Bragança.
Liceu Nacional de Bragança, FLUP, DRAPN.
Liceu Nacional de Bragança, FLUP, DRAPN.

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