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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

HOJE VI-TE

Por: Maria da Conceição Marques
(Colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")


 Hoje o dia abriu-se em dois dentro de mim, como um céu rasgado entre sol e tempestade.

Hoje, vi-te! 

Foi como avistar a terra prometida depois de um naufrágio longo demais. O coração correu à frente do corpo, cheio de alegria só por saber que estavas ali: real, inteira, respirando no mesmo espaço que eu. Mesmo à distância, a tua presença iluminou-me.

Mas a alegria veio ferida. Tu viraste o rosto.  Nesse gesto simples caiu um silêncio pesado. Foi como se o mundo tivesse recuado um passo, deixando-me com os braços cheios de nada. O abraço que eu tinha pronto ficou suspenso no ar. Os beijos, guardados durante a tua ausência, morreram-me nos lábios, órfãos de destino.

Houve luz, sim, a luz de te ver viva, e bonita.

E houve dor, a dor de  amar sem poder tocar, de te reconhecer sem ser reconhecida, de te querer perto quando tu escolheste a distância.

Hoje aprendi que o amor também sabe doer em silêncio. Que às vezes ele não grita, não implora, não corre atrás. Fica. 

Fica quieto, firme, como uma raiz que aceita a terra dura, acreditando que um dia, mesmo sem saber quando, a flor há de voltar a nascer.

Eu fiquei assim: inteira de amor, partida de saudade.


Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas coletâneas: Poema-me; Poetas de Hoje; Sons de Poetas; A Lagoa e a Poesia; A Lagoa o Mar e Eu; Palavras de Veludo; Apenas Saudade; Um Grito à Pobreza; Contas-me uma História; Retrato de Mim; Eclética I; Eclética II; 5 Sentidos.
Reunir Escritas é Possível: Projeto da Academia de Letras- Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina.
Livros Editados: O Roseiral dos Sentidos – Suspiros Lunares – Delírios de uma Paixão – Entre Céu e o Mar – Uma Eterna Margarida - Contornos Poéticos - Palavras Cruzadas - Nos Labirintos do Nó.

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