O jogo dos caramonos fazia parte da magia simples da nossa infância, daquelas brincadeiras que não precisavam de tecnologia nem de grandes recursos, apenas imaginação, destreza e uma boa dose de entusiasmo. Os caramonos eram apenas cromos de futebolistas (e às vezes de outras coleções), mas nas nossas mãos ganhavam vida própria e transformavam-se num verdadeiro desafio de habilidade.
O objetivo era simples. Com um golpe rápido da palma da mão, tentar virar os caramonos que estavam pousados no chão, com a face para baixo. Quem conseguisse virá-los ficava com eles, como troféus conquistados não pelo valor material, mas pela satisfação do momento e pelo prestígio entre os amigos. Cada jogada trazia a tensão do “será que vira?”, e cada vitória arrancava sorrisos e celebrações improvisadas.
Claro que, como em qualquer brincadeira de rua, também havia espaço para a criatividade… e para a batota. Muitos de nós humedecíamos discretamente a palma da mão com o bafo, só um sopro quente e disfarçado, para criar uma pequena camada de humidade que ajudava o caramono a colar-se à mão no momento do golpe. Todos fingíamos não ver, todos sabíamos que acontecia, e todos fazíamos o mesmo quando chegava a nossa vez. Era parte do jogo, parte do ritual, parte da inocência daquela época.
Os caramonos eram encontros de amigos na rua, tardes inteiras passadas a competir, a rir, a discutir quem tinha os melhores caramonos e a aprender a lidar com vitórias e derrotas. Faziam parte de um tempo em que brincar era estar presente, era conviver, era inventar mundos com quase nada.
Hoje, recordar esses momentos é como revisitar uma parte doce da nossa história, simples, genuína e cheia de vida. Eram as brincadeiras de antigamente, feitas de gestos pequenos, mas de memórias enormes. E são essas memórias que continuam a acompanhar-nos, como um tesouro que o tempo não consegue apagar.

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