No âmbito do Município, certamente que os presidentes da Câmara de Bragança, enquanto representantes máximos da governação do Concelho, rivalizavam em poder e prestígio com os governadores civis, tanto mais que, ao contrário destes, eram eleitos pelos bragançanos – mesmo sabendo, como já esclarecemos, que durante o Estado Novo e ocasionalmente no Constitucionalismo Monárquico, a Cidade teve presidentes de Câmara nomeados –, e decidiam de tudo quanto dizia respeito ao bem público. Com efeito, a liderança do Município constituiu o instrumento chave da instalação de uma rede de influência política local.
Tendo em consideração os presidentes da Câmara de Bragança, a sua naturalidade parece ter constituído um fator importante, beneficiando aqueles que tinham nascido no Município. Não podemos adiantar conclusões definitivas quanto à naturalidade dos Presidentes da Câmara Municipal de Bragança, uma vez que a biografia dos mesmos está ainda por fazer. Contudo, das sete dezenas de presidentes da Câmara de Bragança registados entre 1820 e 2012, foi possível apurar a naturalidade de boa parte deles, sendo a maioria oriunda de Bragança.
Nesta situação, encontramos, por exemplo, o primeiro Presidente eleito de Bragança, Francisco de Figueiredo Sarmento (1822), e o Presidente eleito após a vitória definitiva do liberalismo em Portugal, António Correia de Castro Sepúlveda (1834).
Tendo em consideração, ainda, alguns daqueles que mais tempo estiveram à frente do Município, apuramos que, bragançanos foram, pelo menos, os presidentes António Manuel Pereira do Lago (1862-1866); José Carlos Ledesma Pereira de Castro (1872-1878); Tomás António Cardoso Novais e Sá (neto de um dos bragançanos mais ilustres de sempre, José António de Sá), responsável pelo único Plano de Melhoramentos da Cidade e seu Município no século XIX, que “deixou grata memória pelo seu fervente regionalismo e entusiasmo pelos progressos de Bragança” (1882-1887); Alfredo José Rodrigues (1914 1918); Teófilo Maurício de Morais (1933-1936), Adriano Augusto Pires (1954-1967) e António Jorge Nunes (1998-2012), este, sem dúvida, aquele que exerceu as funções de Presidente da Câmara Municipal de Bragança durante mais tempo – embora presidentes como José Luís Pinheiro (1975-1986) e Manuel António Pires (1942-1950), o primeiro de Lisboa e o segundo do Mogadouro, tenham permanecido largos anos em tais funções.
Parece-nos evidente que os presidentes com maior influência no Município foram aqueles que exerceram tal cargo durante mais tempo e que eram filhos da terra. Mas só estudos mais aprofundados, incompatíveis com este trabalho, poderão confirmar esta hipótese (Quadro n.º 82).
De qualquer forma, a importância deste ou daquele Presidente da Câmara em momentos particulares da História de Bragança na Época Contemporânea, fica bem patente ao longo das páginas desta obra, ao abordarmos justamente esses momentos e os seus protagonistas.
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(Henrique Martins)
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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
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