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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

2022 está a ser o pior ano de sempre para os apicultores transmontanos. Quebra pode chegar a 90%

 O presidente da Associação dos Apicultores do Nordeste fala em quebras de produção entre os 80% e os 90% , que já terá levado à diminuição de cerca de duas mil colmeias e ao abandono de atividade de alguns produtores de mel.


As alterações climáticas, a seca, os incêndios e a crise económica são as causas apontadas para esta situação delicada que o setor atravessa e José Domingos Carneiro lamenta que não existam apoios, por parte do Governo, para  fazer face a esta crise na produção de mel.

O Presidente da Associação dos Apicultores do Nordeste, José Domingos Carneiro, não tem dúvidas que nos cerca de 40 anos que está ligado ao setor da apicultura, 2022 é o ano mais fraco de sempre de produção de mel na região, com quebras entre os 80% e os 90%:

“A pior altura de sempre é esta. Acho que batemos no fundo este ano. Tivemos apicultores aqui que tiveram meio quilo de produção da colmeia. Este ano há 3kg ou 4 kg de produção por colmeia, no máximo. Num ano normal há 20kg, em média.”

A Associação de Apicultores do Nordeste abrange cerca de 500 produtores de mel, com um total de cerca de 50 mil colmeias de vários concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real e até de Vila Nova de Foz Coa, já no distrito da Guarda. José Carneiro revela que esta quebra de produção, que vem acontecendo nos últimos três anos, já levou à diminuição de mais de duas mil colmeias:

“De 2019 para agora, 2022, temos uma diminuição de cerca de 2000 colmeias. Alguns abandonam e outros diminuíram o efetivo.

Pessoas que tinham 500/600 colmeias passam para as 200/300. As produções já não são as mesmas e o mel disponível também já não é o mesmo, porque há menos colmeias e menos abelhas.”

Se já não bastasse o problema dos incêndios, também a seca veio a agravar a situação, porque afetou a floração da flora e, com isso, fica comprometida a sobrevivência das abelhas porque não têm alimento:

“Se não houver tempo bom para poderem trabalhar, as abelhas não saem da colmeia e não vão recoletar, logo não entra o mel. Isso tem acontecido nestes últimos três anos. Na altura, o tempo estava um pouco baralhado, elas não saem, e se o fazem é em poucas quantidades, logo o nectar não entra.

Nesta altura havia sempre alguma floração que permitia que as abelhas fossem recolher o nectar para a sua alimentação/manutenção. Como não há nada, os apicultores já estão a alimentá-las com açúcar.”

Perante este cenário, o presidente da Associação dos Apicultores do Nordeste queixa-se de falta de apoios por parte do Governo

“Veio agora uma ajuda para as zonas onde houve incêndios, em açúcar, de 700 g por colmeia. Nem tenho palavras para isto.

Um apicultor nesta altura gasta por colmeia 10kg. Por isso, vejam o apoio que é dado.”

José Domingos entende que devia existir maior sensibilidade da parte do poder central para o setor, lembrando a importância que as abelhas têm para a agricultura, como insetos polinizadores

“A atividade apícola tem a vertente de apoiar os agricultores, sobretudo na polinização.

A amendoeira depende em cerca de 70% da polonização dos insetos e as abelhas aqui são fundamentais para que a produção da amêndoa seja boa. Não precisam de pagar polinização porque aqui na nossa zona as abelhas vão lá.

Mas há zonas do país onde já é pago aos apicultores para pôr as colmeias e haver polinização. Aqui é grátis.

Depois, há a questão do ecossistema que funciona com a polinização dos insetos, de maneira que a apicultura é uma mais-valia para toda a sociedade e não é apoiada.”

O concelho de Mirandela é aquele que regista a maior quebra na produção, a que não está alheio o facto de ser o segundo concelho do país com mais colmeias. Tem perto de 10 mil. Mais só mesmo no concelho de Loulé, no Algarve.

INFORMAÇÃO CIR (Terra Quente FM)

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