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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Caretos de Torre de Dona Chama já são património cultural nacional

 As Festas dos Caretos, dos Rapazes e de Santo Estêvão de Torre de Dona Chama, no concelho de Mirandela, acabam de ser inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, segundo publicação hoje em Diário da República.


O distrito de Bragança passa a ter duas festas relacionadas com os tradicionais mascarados com o estatuto de património cultural nacional, depois do Entrudo Chocalheiro dos Caretos de Podence, em Macedo de Cavaleiros, que se tornaram, há quase três anos, Património Imaterial da Humanidade.

A decisão da Direção-Geral do Património Cultural relativa a Torre de Dona Chama foi hoje publicada em Diário da República e destaca a “importância de que se reveste esta manifestação do património cultural imaterial enquanto reflexo da identidade da comunidade envolvente e a sua profundidade histórica e evidente relação com outras práticas inerentes à comunidade”.

As festividades, que ocorrem no Natal nesta vila do concelho de Mirandela, fazem parte das chamadas festas de inverno do Nordeste Transmontano, também conhecidas como Festas dos Caretos, dos Rapazes e de Santo Estêvão, que se prolongam do Natal ao Carnaval.

O pedido do registo no inventário nacional das festas de Torre de Dona Chama foi feito pela Dona Flâmula, a associação local para a defesa do património de Torre de Dona Chama.

A Direção-Geral do Património Cultural teve o processo em consulta pública, até ao início de agosto.

A responsável pela documentação da candidatura foi a técnica Patrícia Cordeiro, que conduziu também o processo do Entrudo Chocalheiro dos Caretos de Podence, em Macedo de Cavaleiros.

Durante três anos, a técnica observou os rituais que se repetem anualmente a 25 e 26 de dezembro e concluiu que, “de todo o conjunto de festas de inverno em Trás-os-Montes, as da Torre de Dona Chama são talvez a festa mais completa, que reúne mais elementos, que hão de derivar de outras festividades no tempo”.

“São quase como que colagens de vários momentos e a verdade é que encontramos ali momentos, temos o sagrado e o profano, as festas dos rapazes e dos caretos, mas temos também uma corrida da mourisca, um momento de teatro popular da reconquista cristã, e isso é muito incomum nestas festas transmontanas”, descreveu à Lusa, aquando da discussão pública do processo.

Além de Festas dos Caretos, dos Rapazes e Santo Estevão de Torre de Dona Chama, estas são também conhecidas como “Ciganada”, com homens a vestirem-se de mulheres e vice-versa com o rosto tapado por um pano das tradicionais rendas de croché.

“Burricada” é outras das denominações devido à tradição de roubar burros, com o significado de despojar os mouros de meio de transporte para fugirem e que está relacionado com a “Mourisca” ou “Correr/Corrida (d)a Mourisca”, a encenação da reconquista cristã.

Ainda não foi possível obter uma reação à inscrição no inventário nacional do presidente da Associação Dona Flâmula, António Reimão, que anteriormente explicou à Lusa que esta encenação teatral é uma especificidade destas festas, onde não falta a fogueira comunitária de Natal, a missa e o deitar os jogos à praça, em que um grupo munido de funis a fazer de altifalantes vai de casa em casa e obriga o dono daquela a quem atribuir uma alcunha a apresentar-se em praça pública a condizer com a alcunha.

António Reimão salientou que estas festas são das mais antigas, com séculos, e que se realizam de forma continuada, com a exceção dos dois anos de pandemia, na região.

Uma comissão de festas e a população da vila, com pouco mais de mil habitantes, garantem que se repete de ano para ano a tradição que já “foi estudada por muita gente, incluindo uma austríaca que pegou nela do ponto de vista musical”.

O processo para a inscrição no inventário nacional teve o apoio financeiro de um programa da EDP e da Câmara de Mirandela para os cerca de 20 mil euros gastos, segundo o presidente da associação.

Fotografia: António Pereira

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