O jogo do prego era uma daquelas diversões simples que enchiam os nossos dias de escola e de rua, especialmente quando a terra estava molhada pelas chuvas. Bastava um pedaço de chão macio e um prego grande, pesado, muitas vezes gasto pelo uso, para transformar uma tarde qualquer numa competição séria e cheia de estratégia.
O objetivo do jogo era aparentemente simples, espetar o prego no chão com um só movimento e, a partir daí, desenhar no solo uma linha contínua que ia delimitando território. A habilidade estava em saber lançar o prego com precisão, fazendo com que entrasse na terra de forma firme. A partir dessa estaca improvisada, usávamos o prego para rasgar o chão molhado com um traço, avançando e tentando “cercar” o adversário.
Os jogadores tinham de ser astutos. Não bastava a força, era necessário cálculo, visão e antecipação. A grande missão era prender o oponente dentro de uma área tão estreita que, quando chegasse a vez dele jogar, já não fosse capaz de traçar uma linha à sua volta para nos cercar de volta. Quando alguém ficava completamente fechado, sem espaço para mais jogadas, o jogo terminava, e a vitória sabia sempre a conquista épica.
A terra húmida era essencial. Permitia que o prego entrasse com facilidade e que o traço ficasse bem marcado, como se estivéssemos a desenhar fronteiras num pequeno mapa de guerra improvisado. Havia risos, discussões amigáveis, protestos fingidos quando o prego escorregava ou quando o traço parecia não estar assim tão bem feito. Tudo fazia parte da magia daquele tempo.
O jogo do prego era uma prova de perícia, paciência e criatividade. Era parte das brincadeiras de rua que moldaram a nossa infância, ensinando-nos, sem darmos por isso, a pensar estrategicamente, a competir com fair play e a celebrar as pequenas vitórias.
Hoje, lembrar o jogo do prego é recordar uma época em que a felicidade cabia num pedaço de chão molhado e num prego velho e, talvez por isso mesmo, era tão intensa e verdadeira.

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