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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O jogo do prego


O jogo do prego era uma daquelas diversões simples que enchiam os nossos dias de escola e de rua, especialmente quando a terra estava molhada pelas chuvas. Bastava um pedaço de chão macio e um prego grande, pesado, muitas vezes gasto pelo uso, para transformar uma tarde qualquer numa competição séria e cheia de estratégia.

O objetivo do jogo era aparentemente simples, espetar o prego no chão com um só movimento e, a partir daí, desenhar no solo uma linha contínua que ia delimitando território. A habilidade estava em saber lançar o prego com precisão, fazendo com que entrasse na terra de forma firme. A partir dessa estaca improvisada, usávamos o prego para rasgar o chão molhado com um traço, avançando e tentando “cercar” o adversário.

Os jogadores tinham de ser astutos. Não bastava a força, era necessário cálculo, visão e antecipação. A grande missão era prender o oponente dentro de uma área tão estreita que, quando chegasse a vez dele jogar, já não fosse capaz de traçar uma linha à sua volta para nos cercar de volta. Quando alguém ficava completamente fechado, sem espaço para mais jogadas, o jogo terminava, e a vitória sabia sempre a conquista épica.

A terra húmida era essencial. Permitia que o prego entrasse com facilidade e que o traço ficasse bem marcado, como se estivéssemos a desenhar fronteiras num pequeno mapa de guerra improvisado. Havia risos, discussões amigáveis, protestos fingidos quando o prego escorregava ou quando o traço parecia não estar assim tão bem feito. Tudo fazia parte da magia daquele tempo.

O jogo do prego era uma prova de perícia, paciência e criatividade. Era parte das brincadeiras de rua que moldaram a nossa infância, ensinando-nos, sem darmos por isso, a pensar estrategicamente, a competir com fair play e a celebrar as pequenas vitórias.

Hoje, lembrar o jogo do prego é recordar uma época em que a felicidade cabia num pedaço de chão molhado e num prego velho e, talvez por isso mesmo, era tão intensa e verdadeira.

HM

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