É urgente que o Governo avance com um plano estratégico para a defesa e valorização do olival tradicional português, sob pena dos olivicultores virem a abandonar essa prática. Uma ideia defendida pelo presidente da APPITAD - Associação de Produtores em Protecção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro. Francisco Pavão entende que também ao nível da União Europeia, é preciso que o nosso país reivindique, nas negociações da nova PAC, mais apoios para o período pós 2020.
Francisco Pavão considera que o sector da Olivicultura vive um momento único, com produções de excelência em termos de quantidade, mas sobretudo em termos de qualidade, o que se tem vindo a reflectir no aumento da notoriedade do azeite português, quer no mercado interno, mas sobretudo no mercado externo, onde a exportação tem vindo a crescer. No entanto, o presidente da APPITAD diz que isso não quer dizer que o sector esteja a florescer. Isto porque, adianta Francisco Pavão, há dois tipos de olivicultura em Portugal: uma associada à nova realidade do Sul do País, onde predomina o olival intensivo e super-intensivo de regadio com utilização maioritariamente de cultivares não portuguesas; outra associada à grande área de olival nacional, o olival tradicional, na sua maioria de sequeiro e explorado por um grande número de olivicultores em todo o território.
Ora a qualidade dos azeites produzidos no olival tradicional esteve bem evidente no último concurso nacional do azeite, mas o problema é que nunca conseguirão ser competitivos ao nível do volume e dos preços, diz Francisco Pavão: “No último concurso nacional de azeites, os azeites obtidos a partir de olivais tradicionais ganharam 80% dos prémios. O que significa que temos aqui um enorme potencial e qualidade. São prémios obtidos por produtores de norte a sul do país. E portanto, para nós demonstrar que há uma enorme qualidade, mas que se for esta qualidade não for apoiada, preservada e potenciada, o que nós pudemos ver é que brevemente este olival pode ser abandonado, o que não se pretende. Vamos perder o olival como elemento fundamental da paisagem e do aspecto socioeconómico do interior do país”.
Perante este cenário, o presidente da APPITAD diz ser urgente criar uma “Estratégia Nacional para a Valorização do Olival Tradicional Português por forma a definir e elencar medidas de apoio à protecção e promoção destas produções.
“Urge encontrar um plano de salvaguarda deste tipo de olival e que não olhe só para a produtividade, mas também como um olival que contribuiu para a biodiversidade, para a definição do mosaico da paisagem e fixação de populações. Este é o nosso intuito e no sentido e defendemos que haja um plano para valorização deste olival, como surgiu agora o plano de valorização dos cereais”, defende Francisco Pavão.
Portugal tem azeite de grande qualidade premiado cá dentro e lá fora. O que faz falta, diz Francisco Pavão, é o Estado e os empresários assumirem de uma vez por todas, a necessidade de desenvolver campanhas de promoção e educação dos consumidores, a começar nos mais pequenos.
“De pequenino se torce o pepino e é importante que as escolas ensinem a consumir azeite potenciando o seu uso. Em Portugal e na União Europeia, o consumo têm vindo a estagnar, portanto é importante que se potencie o uso desta gordura saudável junto das escolas e seja feito um plano de formação e sensibilização, da restauração, das escolas de hotelaria e universidades”, acrescentou Francisco Pavão.
O presidente da APPITAD lembra ainda que está na fase inicial a discussão da Política Agrícola Comum pós 2020, e entende que o sector do azeite português terá que unir esforços no sentido de sensibilizar Bruxelas para um conjunto de problemas que são transversais aos diversos tipos de olival nacional e europeu.
Urge criar uma Estratégia Nacional para a Valorização do Olival Tradicional Português por forma a definir e elencar medidas de apoio à protecção e promoção destas produções. É o que defende o presidente da APPITAD.
Escrito por Rádio Terra Quente (CIR)
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