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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Aldeia de Macedo de Cavaleiros recupera ‘Galhofas’ e cria festival

A aldeia de Arcas, em Macedo de Cavaleiros, está a revitalizar a tradição das ‘Galhofas’, as Festas dos Rapazes com máscara da localidade, que sinalizavam o ritual de passagem para a vida adulta e que estiveram um século sem acontecer.


Nos dias 22 e 23, numa antecipação da data destas festas, a aldeia acolhe a primeira edição do Galhofa - Festival do Solstício de Inverno e dos Caretos, para envolver a comunidade e dedicado à música tradicional, disse à Lusa Nelson Peixeiro, do Núcleo de Costumes e Tradições de Arcas, que organiza o evento.

“Dia 23 vamos ter ainda um encontro de mascarados. Contamos com pelo menos 20 grupos, também de Espanha”, adiantou ainda Nelson Peixeiro. 

O cartaz musical é composto pelos mirandeses Galandum Galundaina, pelos Xukalhos e pelos Zíngarus, transmontanos que tocam folk rock.

Já as festas propriamente ditas, em honra de Santo Estêvão, são a 25 e 26, onde os rapazes saem à rua escondidos em máscaras de couro e fatos de lã onde predomina a cor vermelha.

As festas começam com a Missa do Galo, à meia-noite do 25, onde é feito o cantar dos homens, feito em latim e a três vozes por anciãos da aldeia.

Depois, saem à rua os caretos e começam as ‘Galhofas’. Os mascarados são desafiados pelos ‘agarrantes’ - as homens sem máscara - para a galhofa, uma luta tradicional transmontana “Ganhar a um careto também era antigamente mostrar a virilidade”, explicou Nelson, porque o careto gozava de um estatuto superior, com a força e o misticismo associados à máscara.

Na tarde do dia de Natal, vão de casa em casa pela freguesia recolher vinho e mel, para o adoçar. Há de ser distribuído por todos no final da festa, em potes de ferro e aquecido à fogueira.

Esse final acontece dia 26 à tarde, com o arremate do charolo, composto por várias roscas (pão doce) empilhadas, adornado e transportado pelos caretos. O dinheiro angariado fica para as festividades do próximo ano.

Desde 2019 estão a revitalizar a festa que, nas contas de Nelson, esteve sem se realizar durante cerca de 100 anos.

“Porque tentámos recolher vários testemunhos, de pessoas que já têm 80, 85 anos, e elas praticamente já não se lembram. Lembram-se do que os pais lhes diziam”, contou à Lusa.

Não havendo registos das ‘Galhofas’, Nelson explicou que foram fazendo novos fatos, baseados nos restantes rituais da região. “Só que depois as pessoas disseram-nos ’não era assim’, As franjas eram as próprias mantas de lã que compõem o fato”, acrescentou Nelson. Na maioria, “mais a dar para o vermelho e para as cores escuras de inverno”.

Já foram a Itália e a Espanha participar em festivais alusivos à máscara, para mostrar a tradição. Nessas saídas, têm levado “7 ou 8 caretos”, porque não tinham muitos fatos.

Agora já têm 12, e esperam que tenham todos uso. “Também aproveitamos os emigrantes, que já no ano passado vieram e quiseram vestir-se de caretos. E já disseram que vêm ao Natal, para a festa”, partilhou Nelson.

O grupo integra pelo menos 5 crianças, entre os 10 e os 12 anos, às quais querem passar “o enraizamento da tradição, para que não se perca mesmo”, concluiu Nelson Peixeiro.

As Festas dos Rapazes, também conhecidas como Festas de Santo Estêvão, começam em Trás-os-Montes em dezembro e estendem-se até ao carnaval. 

TYR // MSP
Lusa/FIM

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