Número total de visualizações do Blogue

Pesquisar neste blogue

Aderir a este Blogue

Sobre o Blogue

SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira e Rui Rendeiro Sousa.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 11 de janeiro de 2026

HOMILIAS ENFADONHAS E SONOLENTAS

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Julgam alguns sacerdotes, que homilias prolongadas, recheadas de preciosa erudição, em estilo obscuro, fascinam mormente com crentes de elevada cultura; puro engano.

Estando em Roma, tive oportunidade de prosear com franciscano, que tentou explicar o motivo da rápida expansão das Igrejas Evangélicas e seitas, no Brasil.

No parecer do erudito sacerdote, essa proliferação, deve-se o facto da maioria dos pastores utilizarem linguagem corrente e usarem termos que o povo facilmente compreende.

O padre tem formação superior, constrói a prática com frases e vocabulário, que as classes mais baixas da sociedade, em geral, desconhecem.

O resultado é irem buscar Igreja, que lhes fale ao coração, com palavras simples e corriqueiras.

Verdade se diga, que há quem frequenta o templo para saborear subtilezas, como santo Agostinho, assistia aos sermões de santo Ambrósio:

" Ardorosamente o ouvia, quando prega ao povo, não com o espírito que convinha, mas como que a sondar a sua eloquência, para ver se correspondia ou exagerava ou diminuía a sua reputação oratória

" Estava suspenso das suas palavras, extasiado do que ele dizia." - "Confissões" - Lº V

Foi desse modo que o franciscano, homem culto, que temporariamente morava na Via Merulana, em Roma, explicou-me o motivo da proliferação de seitas, na América Latina.

Termino, levando ao leitor a opinião de Nicola Bux, Professor da Faculdade Teológica de Bari (Itália) – autor do livro: " Como Ir á Missa Sem Perder a Fé", " As homilias são por vezes: demoradas, incompreensíveis e maçadoras, que pouco dizem aos fieis e menos ainda ao assistente ocasional."

A propósito, recordo o soporífico sermão, proferido por pastor, prática que assisti na adolescência. Creio que os crentes, após o terem escutado, ficaram em jejum, com pouca vontade de voltarem a ouvi-lo.

Ouvi, igualmente, a homilia de bispo, residente em Luanda, que me cativou – era simples, proferida como estivesse a conversar á mesa de Café, com amigos.

Os fiéis saíram encantados, e com vontade de voltarem a ouvi-lo.

Em suma: a prática deve ser proferida com o coração, vivendo o que se diz; em estilo simples, para que as palavras entrem, rapidamente, no coração dos crentes e descrentes.


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Sem comentários:

Enviar um comentário