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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 11 de maio de 2019

Urso-pardo já “roubou” mais de 50 quilos de mel, mas é bem-vindo em Montesinho

O exemplar de urso-pardo cuja presença foi confirmada esta quarta-feira em território português, junto à fronteira com Espanha, consumiu mais de 50 quilos de mel de um apiário local. O proprietário, no entanto, diz que o urso até é bem-vindo e que pode voltar, “se não estragar muito”.
As pegadas do animal captadas pelo apicultor LUÍS CORREIA

O exemplar de urso-pardo que foi detectado no Parque Natural de Montesinho, em Bragança, pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pelas autoridades espanholas, “assaltou” várias colmeias na zona e consumiu mais de 50 quilos de mel de um apicultor local.

Os apiários dos quais o urso-pardo se alimentou por diversas vezes pertenciam à empresa de mel Apimonte. Ao PÚBLICO, o dono da empresa, Luís Correia, conta que no dia 29 de Abril, aquando de uma visita a um dos apiários da empresa que fica “a uns 700 metros” da fronteira espanhola, reparou que uma das redes tinha sido parcialmente destruída e que lhe faltava uma das colmeias.

“Tentamos perceber rapidamente o que se tinha passado e fomos encontrar a colmeia a uns 30 metros, sem quadros, sem cera, sem abelhas, sem nada. Os quadros comidos e espalhados pelo chão”, diz o apicultor.

Luís Correia está ligado ao negócio do mel há 17 anos e afirma que nunca lhe tinha acontecido algo semelhante. “Ficámos de boca aberta, não percebemos o que se tinha passado e saímos dali intrigados com a situação. Contactei o ICNF e no dia seguinte eles mandaram um técnico”, diz.

No dia e noite seguintes, algumas colmeias voltam a ser atacadas e só mais tarde é que Luís recebeu a notícia que se tratava de um urso-pardo por causa das pegadas e do pelo que deixou na rede.

Desde a semana passada que não houve mais ataques. O apicultor, cujas colmeias são as únicas no raio de alguns quilómetros, diz que o urso até é bem-vindo e que pode voltar, “se não estragar muito”.

“Temos sempre receito porque a apicultura é uma actividade muito cara, mas queremos acarinhar o urso, a ver se ele fica por aqui. O regresso desta espécie já era aguardado há muito. Gostamos que os animais venham para aqui porque caso contrário o parque natural torna-se pobre em termos de biodiversidade”, refere Luís Correia.

Caso os ataques comecem a ser mais frequentes, a empresa passará a vigiar os seus apiários com sistemas de videovigilância ou a proteger as colmeias com redes ou fios eléctricos. “Mas não nos importávamos se acontecer uma vez por ano, era sinal que ele ainda andava por aqui”, refere o apicultor, que acrescenta que os técnicos do ICNF estão a vigiar as movimentações do urso-pardo.

Esta sexta-feira, uma fonte do ICNF disse à agência Lusa que a probabilidade de existirem outros exemplares de urso-pardo no Parque Natural do Montesinho, no distrito de Bragança, junto à fronteira com Espanha, “é muito baixa” devido ao tamanho e “comportamento destes animais”. “A dimensão dos ursos e comportamento desta espécie promove o seu avistamento e a fácil identificação de indícios de presença no território”, esclareceu a mesma fonte do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Depois de vários relatos sobre o possível aparecimento de um urso-pardo em Portugal, as autoridades portuguesas confirmaram esta quarta-feira a presença em território português de um exemplar de urso-pardo, o primeiro avistamento em território nacional desde a extinção declarada em 1843.

“A administração regional [de Castela e Leão] alertou para a presença deste urso às autoridades portuguesas, que finalmente confirmaram a sua descoberta”, revelava em comunicado, citado pela agência Lusa, o Serviço Territorial de Meio Ambiente de Zamora. “Dá-se a circunstância de ser a primeira vez, nos últimos dois séculos, em que a presença desta espécie no país vizinho é confirmada de maneira confiável”, asseguraram as autoridades regionais espanholas.

Segundo o ICNF, este tipo de deslocação é típico de indivíduos dispersantes, jovens e provenientes de populações abundantes como é a população da cordilheira cantábrica. O ICNF está a monitorizar os movimentos através de armadilhagem fotográfica e indícios de presença em articulação com as entidades espanholas.

O Serviço Territorial de Meio Ambiente de Zamora, referiu à Lusa que o animal, que foi também avistado na região de Sanabria, “pode pertencer” à subpopulação ocidental da Cantábria e deverá ser um adulto em dispersão. Em média, um urso-pardo adulto mede entre 1,4 e 2,8 metros de comprimento (incluindo a cauda) e entre 0,7 e 1,53 metros de altura até ao ombro e pode pesar mais de 200 quilogramas (no caso dos machos).
Fotos da colmeia ataca pelo urso-pardo LUÍS CORREIA

Paralelamente, e dada a proximidade da fronteira portuguesa, a presença do urso foi comunicada ao ICNF para o caso de o animal continuar a sua viagem para o sul, “facto que acabou por acontecer há poucos dias”. “Dá-se a circunstância de ser a primeira vez, nos últimos dois séculos, em que a presença desta espécie no país vizinho é confirmada de maneira confiável”, asseguraram as autoridades regionais espanholas.


Sofia Neves
Fugas
Jornal Público

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