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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Cristèle Alves Meira leva a Cannes um microcosmo familiar e transmontano

 A realizadora luso-francesa Cristèle Alves Meira regressa esta semana ao festival de cinema de Cannes, em França, com a longa-metragem "Alma Viva", um microcosmo sobre laços familiares, emigração, misticismo e a cultura transmontana.


"Alma Viva", produzido pela Midas Filmes em coprodução com França e Bélgica, é a primeira longa-metragem de Cristèle Alves Meira e estreia-se na quarta-feira na Semana da Crítica, em paralelo ao festival de Cannes, onde a realizadora já apresentou anteriormente duas curtas-metragens.

O filme foi integralmente rodado em Junqueira, uma aldeia transmontana do concelho de Vimioso, onde a realizadora tem raízes maternas, e as filmagens, feitas no verão passado, contaram sobretudo com atores não profissionais da localidade.

"A aldeia tornou-se no 'décor' do cinema e isso permitiu-me muita liberdade, porque tínhamos tudo. É como se fosse um 'décor' de cinema falso, mas foi uma aventura muito familiar, muito intensa e reduzida no espaço", recordou Cristèle Alves Meira à agência Lusa.

"Alma Viva" centra-se em Salomé, uma menina, filha de emigrantes portugueses em França, que passa o verão numa aldeia com a avó, com quem tem uma forte ligação afetiva e espiritual.

Salomé irá testemunhar a morte da avó e suspeita que esta foi envenenada por bruxaria por outra mulher da aldeia. Enquanto a família organiza o funeral, Salomé acredita que está acompanhada pelo espírito da avó e tenta vingar a sua morte.

"A história foi completamente inspirada em histórias poderosas e misteriosas que ouvi ao pé da lareira. Essas histórias são quase como a memória arcaica de Portugal, a matriz da nossa cultura e eu queria voltar a essas tradições e contar essas histórias no cinema, para estar nessa transmissão de cultura", explicou Cristèle Alves Meira.

Filha de um minhoto e de uma transmontana que emigraram para França, Cristèle Alves Meira mantém a ligação a Portugal e às origens dos pais e assume que este filme tem um pendor autobiográfico, mesmo sendo uma ficção.

"O que eu tenho da Salomé é ter nascido em França de pais portugueses, a aldeia é da minha mãe, as pessoas que aparecem no filme viram-me nascer e crescer. Muitas pessoas do filme são pessoas conhecidas e familiares da minha aldeia. É um filme quase antropológico de uma comunidade, de uma aldeia, dessas aldeias mais isoladas do interior de Portugal com as quais sou muito íntima", descreveu.

O filme é também um retrato da emigração portuguesa, das famílias que se separam entre os que ficam e os que partem, e das complexas diferenças sociais e económicas que daí nascem.

A realizadora explica que também quis "compreender melhor a violência, a brutalidade" latente no relacionamento de algumas famílias.

"O ponto de partida do filme também foi uma situação de injustiça que senti quando a minha avó morreu. Os meus tios tiveram muitas crises à volta da questão das partilhas, a minha avó ficou dois anos sem sepultura e aquela coisa ficou gravada em mim", recordou.

O filme "Alma Viva" - que chegou a intitular-se "Bruxa" - estava a ser preparado por Cristèle Alves Meira há vários anos; o argumento foi sendo aperfeiçoado enquanto fazia outros filmes, em particular três curtas: "Sol branco" (2015), "Campo de víboras" (2016) e "Invisível Herói" (2019).

Cristèle Alves Meira diz que estas três curtas são obras independentes, mas "abriram caminho" para a longa-metragem.

"Já estavam lá as minhas preocupações e reflexões, que eu estava a tentar desenvolver na 'longa'. (...) Tivemos um ponto de partida e um ponto de chegada, que é o 'Alma Viva'", afirmou.

Cristèle Alves Meira volta à Semana da Crítica para apresentar este filme, uma das sete longas-metragens selecionadas para a competição oficial.

"Eles acreditaram em mim desde 'Campo de Víboras'. É uma prova de amor, quase, mas dá-me muita coragem e força. É mesmo 'super importante', porque só são sete filmes e é uma seleção especial e sensível. Eles acompanham os filmes com carinho e são muito focados", descreveu.

Além de "Alma Viva", na Semana da Crítica estarão também a curta-metragem de animação "Ice Merchants", do realizador português João Gonzalez, e, fora de competição, a longa-metragem "Tout le monde aime Jeanne", de Céline Devaux, filmado em Portugal e coproduzido por O Som e a Fúria.

A 61.ª Semana da Crítica, organizada pelo sindicato dos críticos de cinema de França, decorrerá de 18 a 26 de maio.

Sílvia Borges da Silva, da agência Lusa

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