Foste falar a meu pai
À parede do Lameiro.
Se querias casar comigo,
Falavas-me a mim primeiro.
A luz daquela candeia
Tem mil cravos no morrão.
Também eu tenho mil penas
Dentro do meu coração.
Fui à fonte p’ra te ver,
Ao rio p’ra te falar.
Nem na fonte nem no rio,
Nunca te pude encontrar.
Ó ferreiro, casa a filha,
Não a deixes na janela,
Que anda o maganão na rua,
Pois não tira os olhos dela.
As estrelas no céu correm,
Todos numa carreirinha.
Também os segredos correm
Da tua boca para a minha.
Ó águia que vais tão alta,
Por essas terras além!
Leva-me ao Céu, onde tenho
A alma de minha mãe.
Que lindo botão de rosa
Aquela roseira tem!
Debaixo não se lhe chega,
E acima não vai ninguém.
O coração e os olhos
São dois amigos leais.
Quando o coração tem penas,
Logo os olhos dão sinais.
Oh! Minha mãe, minha mãe!
Oh! Minha mãe, minha amada!
Quem tem uma mãe tem tudo.
Quem não tem mãe, não tem nada.
Quem me dera ver agora,
Quem agora me aqui lembrou.
Amorzinho da minha alma,
Que tão longe de ti estou!
RECOLHA (1985) de Judite Morais Moreno, Sambade – Alfândega da Fé.
FICHA TÉCNICA:
Título: CANCIONEIRO TRANSMONTANO 2005
Autor do projecto: CHRYS CHRYSTELLO
Fotografia e design: LUÍS CANOTILHO
Pintura: HELENA CANOTILHO (capa e início dos capítulos)
Edição: SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE BRAGANÇA
Recolha de textos 2005: EDUARDO ALVES E SANDRA ROCHA
Recolha de textos 1985: BELARMINO AUGUSTO AFONSO
Na edição de 1985: ilustrações de José Amaro
Edição de 1985: DELEGAÇÃO DA JUNTA CENTRAL DAS CASAS DO POVO DE BRAGANÇA, ELEUTÉRIO ALVES e NARCISO GOMES
Transcrição musical 1985: ALBERTO ANÍBAL FERREIRA
impressão e acabamento: ROCHA ARTES GRÁFICAS, V. N. GAIA

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