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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Arte efémera, luminárias e fogo-de-artifício em Bragança

A arte (artes plásticas, música, dança, teatro, entre outras) tem uma relação direta com a festa da vida e a festa da morte. Esta realidade faz da festa um campo de excelência dos historiadores das diversas artes. A nível essencialmente da arquitetura, da escultura e da pintura, encontramos dois planos de realização: o primeiro, e menos frequente, que leva a uma intervenção urbana efetiva (alargamento de ruas) ou intervenção num edifício; o segundo, entra no mundo da arte efémera, exterior e interior, e da decoração. Para estas duas realidades convidam-se, muitas vezes, os melhores artistas de cada época, e nos centros mais pequenos e de menor importância artística alia-se o engenho particular à mão-de-obra local.
150 anos depois, o fogo-de-artifício continua a abrilhantar os céus de Bragança em dias festivos

Em Bragança, na arte efémera funerária fizeram-se tablados para a quebra de escudos; decoração das capelas-mores das igrejas onde se realizaram as exéquias; e levantaram-se essas, que foram as estruturas mais elaboradas nas três exéquias referidas, como aconteceu em 1853, nas exéquias por D. Maria II. O autor da memória relata que a capela-mor “estava ornada de luto e tão pomposa pela simplicidade como pela riqueza de seus ornatos”, onde se podia admirar a banqueta e as sacras de prata maciça, a imagem do Redentor Crucificado, e na “escuridade do crepe, que fazia todo o fundo deste quadro, destacava-se em carateres também de prata a saudação angélica Ave Maria”.
Também foi levantado, como era tradição, um mausoléu formado por quatro escadarias, “em sentidos opostos”, que permitiam o acesso a um estrado onde se encontrava a “urna mortuária”, com o dístico Domine salvam fac Reginam, por cima da qual foi colocado um coxim de veludo preto, a coroa e o cetro real, emblemas da Rainha “que a morte havia arrebatado”.
Além dos emblemas, “pousava sobre estes uma pomba natural, alegorizando que em Lisboa desceu a acompanhar o préstito da Real Finada”. Doze colunas sustentavam, numa “prodigiosa altura”, uma cúpula da “especial” ordem gótica, tudo “vestido” de preto com guarnições de prata e iluminado por “brandões” e velas de cera. Nas almofadas roxas da sua base podiam ler-se versículos variados do Salmo Dies ille “e outras passagens tocantes e poéticas dos livros sagrados com aplicação da cena”.
Para a aclamação de D. Pedro V (1855), encontramos no relato diversos testemunhos de arte efémera, luminárias e fogo-de-artifício. Dentro da arte efémera, além da importância do trajo usado pelos seus diversos participantes, queremos referir algumas estruturas levantadas para os festejos:

• um dossel levantado na capela-mor da Sé, para o retrato de D. Pedro V, “colocando-se no degrau superior a almofada com as insígnias reais”; uma torre, construída “em volta do cruzeiro na Praça da Sé”, de “figura octógona”, tendo na base oito grandes pórticos “embelezados” com pinturas transparentes para serem iluminadas. Na parte superior via-se uma galeria, “conservando a mesma figura”, com um farol em cada ângulo. Um pouco mais recolhidos, existiam também oito pórticos de menor dimensão, adornados com “panos” com diversos temas – no do pórtico que ficava em frente do castelo e antiga Casa de Bragança, foi colocado o retrato de D. Pedro V; os dois que lhe ficavam mais próximos, tinham os dísticos “16 de setembro de 1855” e “Real, Real, de El-Rei o Senhor, D. Pedro 5.º”; nos outros dois imediatos a estes últimos, foram colocados os seguintes versos de Luís de Camões – “Tomai as rédeas vós do Reino vosso / Dareis matéria a nunca ouvido canto. / Não vos hão de faltar, gente famosa, / Honra, valor e fama gloriosa”; no pórtico oposto ao retrato de D. Pedro V, foram colocadas as armas reais, e nos dois restantes, os troféus de armas e emblemas da indústria, das ciências e das belas-artes. Rematava a torre uma cúpula com várias decorações transparentes;

• carros alegóricos ricamente adornados.

Nos três dias festivos houve fogo do ar e iluminações, sendo de realçar a que os empregados do Governo Civil e da Repartição de Fazenda fizeram na fachada da Casa do Governo Civil, decorada com uma grinalda de janela a janela. A iluminação foi feita em todo o comprimento do edifício com tigelinhas de duas luzes, material utilizado para os arcos na janela cobertos de buxo. No centro encontrava-se o retrato de D. Pedro V, debaixo de um dossel, cortinas de damasco, bandeiras nacionais e um dístico.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

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