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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Pintora Graça Morais feliz com ‘honoris causa’ da universidade da sua região

 A artista Graça Morais, no dia em que recebeu o doutoramento ‘honoris causa’, agradeceu o reconhecimento pela universidade da sua região, Trás-os-Montes, e disse que vai retomar a pintura depois de um período de “reflexão” provocado pela guerra na Ucrânia.


“Significa muito, honra-me muito, deixa-me muito contente porque é o reconhecimento da minha obra e da minha pessoa. A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) é a universidade da minha região, porque nasci aqui perto”, afirmou à agência Lusa.

Graça Morais nasceu no Vieiro, aldeia do concelho de Vila Flor, no distrito de Bragança, a cerca de 60 quilómetros de Vila Real, onde hoje recebeu o doutoramento ‘honoris causa’.

Na cerimónia que decorreu na aula magna da academia transmontana, marcou presença o primeiro-ministro, António Costa. Antes, a artista recebeu um telefonema do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A pintora disse ter ficado contente porque são duas pessoas que estima.

Aos 74 anos, Graça Morais torna-se na segunda mulher a ser distinguida com o doutoramento ‘honoris causa’ pela UTAD, depois de, em 2018, ter sido atribuído à escritora Agustina Bessa-Luís.

“Ainda me honra mais, porque a Agustina Bessa-Luís é um grande vulto da nossa cultura, é uma grande escritora e era uma grande amiga minha. Eu acho que este olhar sobre a obra de uma mulher é importantíssimo e é muito raro nas universidades, sobre uma artista, é mais sobre mulheres ligadas a outras áreas”, referiu.

A artista diz que é um reconhecimento importante à sua obra e a si, enquanto mulher, e que espera que, a partir de agora e cada vez mais, as mulheres comecem a “ser reconhecidas por entidades tão importantes como as universidades”.

Depois de um período de “grande reflexão” em que entrou quando começou a guerra na Ucrânia, Graça Morais quer retomar a sua obra.

Estes tempos, contou, “não foram muito produtivos”, embora tenha estado envolvida “em vários assuntos”, entre eles o painel de azulejos que vai ser inaugurado este mês, em Almeida, de homenagem “ao nosso sábio” Eduardo Lourenço.

“Porque esta guerra criou em mim um sentimento de espanto, revolta e ao mesmo tempo de medo, porque é muito perto de nós, as pessoas que fogem estão vestidas como nós, as pessoas que ficam são muito pobres. Nós vemos aquelas mulheres e é realmente a pobreza máxima que ficou naquele país ou as mulheres mais heroicas que ficaram ao lado dos homens”, apontou.

São, na sua opinião, “exemplos de grande heroísmo que aquelas mulheres estão a dar ao mundo”.

“Nós vivemos sempre num mundo de grandes incertezas. Quando viajamos, sobretudo pela Europa, sentimos que é uma Europa estável, uma Europa da cultura, da democracia e, de facto, nada está certo nas nossas vidas. Viu o susto que nós todos apanhamos com esta pandemia (covid-19)?”, referiu ainda Graça Morais.

A artista não acredita “na inspiração” e conta que tudo o que faz “tem a ver com olhar o mundo, pensar o mundo, refletir”. “E depois obedeço a grandes necessidades que estão relacionadas com a minha forma de ver, de viver como mulher, mas sobretudo com a cultura que eu fui adquirindo ao longo da vida, aprendendo muito com outros grandes mestres, lendo, vendo cinema”, acrescentou.

Isto porque, na sua opinião, a “pintura não vive isolada”.

“Nós vivemos de pequenas coisas, de pequenos contactos com pessoas e objetos e com seres até animais, mas também com a arte global, com o conhecimento, por isso a importância das universidades”, frisou.

E continuou: “É através do conhecimento que o espírito das pessoas pode enriquecer, ficar mais crítico e menos permeável aos populismos, menos permeável a seres detestáveis e perigosíssimos como o Putin. Há ‘Putins’ em todos os países, não podemos é deixá-los chegar ao Governo, temos que lutar contra isso”.

Com mais de 50 anos de vida artística, Graça Morais é considerada uma “das grandes referências na história da arte contemporânea europeia”.

Fez a primeira exposição em 1971 e afirmou que teve de conciliar o “tempo dedicado à sua pintura com aulas”.

“No início a pintura não se vende, é muito difícil, é tudo muito irregular. Qualquer crise económica que atinja o país já o mercado da arte retrai-se. É sempre difícil porque o artista vive da sua arte”, referiu.

A artista foi agraciada, em 1997, com o grau de grande oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República Jorge Sampaio, e recebeu, em 2019, a Medalha de Mérito Cultural das mãos da ex-ministra da Cultura Graça Fonseca.

É membro da Academia Nacional de Belas Artes e de diversas associações, confrarias e fundações culturais.

Entre 1974 e 2019 realizou e participou em mais de uma centena de exposições individuais e coletivas em Portugal e no estrangeiro e, em 2008, foi inaugurado o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (CACGM), em Bragança, da autoria do arquiteto Souto Moura.

À Lusa contou que aquilo que “gosta mais” é que visitem a sua pintura, destacando a oportunidade de ter, há 13 anos, em permanência, obras no centro de arte em Bragança, onde a sua última exposição - “Inquietações” - pode ser visitada até setembro.

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