O espectáculo de Marco Martins parte dos rituais de inverno, nomeadamente dos transmontanos, para propor uma reflexão sobre o uso das máscaras nestas práticas ancestrais.
Os mascarados transmontanos foram apenas uma das inspirações de Marco Martins. O encenador baseou-se nestes rituais que têm pontos em comum com outros em diferentes partes da Europa. "Fiquei muito surpreendido com a importância que essas máscaras tinham em toda a Europa e a equivalência que tinham os rituais. Os rituais ligados ao ciclo de inverno têm características muito comuns em toda a Europa, o que muda é a máscara em si. Os rituais também têm algumas diferenças entre eles mas têm muitos pontos em comum. Comecei a viajar pela Europa com a minha equipa e fomos à Macedónia do Norte, à Sardenha, à Roménia e evidentemente a Trás-os-Montes, descobrindo quem eram os homens por de trás daquelas máscaras e daquele rituais".
Depois do estudo no terreno destes rituais, surgiu uma peça que é uma reflexão sobre o uso da máscara e sobre as celebrações. Mas além de actores, em palco há também mascarados. "É uma reflexão sobre o homem e a máscara. As máscaras, quer as daqui, de Trás-os-Montes, sendo que neste caso, no espectáculo, temos as de Baçal e de Podence, quer as da Sardenha, de três aldeias distintas, vão estar em placo. É uma reflexão das pessoas que usam essas máscaras. Falarem de quando as usam, em que circunstâncias".
O trabalho começou há quatro anos e o objectivo inicial era incluir mais rituais, no entanto, a pandemia obrigou a reduzir o número de mascarados.
Além do papel que tem nos rituais das Festas de Inverno, a peça aborda ainda as máscaras mais contemporâneas, usadas pelas pessoas no mundo digital. "O que aparece muito no espectáculo, não de forma evidente, é a máscara digital, ligada a tudo que são estas construções contemporâneas sobre o nosso rostos e a nossa personalidade. No meu entender é a presença mais constante da máscara hoje em dia".
Depois de a equipa já ter passado alguns meses no território a trabalhar n a peça, Marco Martins admite que é especial apresentar agora o espectáculo final em Bragança. "É um espectáculo fortemente marcado por esta região e que só foi possível com o apoio desta região. É um pouco a devolução o trabalho final à população".
Depois de Lisboa e do Porto, Selvagem chega agora a Bragança.
O espectáculo sobe ao palco do Teatro Municipal de Bragança, hoje às 15h, com sessão para as escolas, e amanhã às 21 horas para o público em geral.
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