Atualmente, enfrentamos, a nível mundial, uma crescente crise de água potável que ameaça todas as formas de vida na Terra. Usamos mais água doce do que a Natureza pode repor e estamos a destruir os ecossistemas dos quais a água e toda a vida dependem - as zonas húmidas. Este dia serve como um grito de alerta para as ameaças que enfrentam estes habitats.
Convenção de Ramsar: o primeiro tratado internacional sobre conservação
A criação do Dia Mundial das Zonas Húmidas está relacionada com a Convenção sobre as Zonas Húmidas, também conhecida por Convenção de Ramsar, relativa à conservação e ao uso sustentável das Zonas Húmidas, a qual foi assinada no dia 2 de fevereiro de 1971, na cidade iraniana de Ramsar. Esta convenção entrou em vigor em 1975 e conta atualmente com 169 países em todos os continentes. O Estado Português assinou a Convenção sobre as Zonas Húmidas em 1980, tendo esta sido ratificada a 24 de novembro desse mesmo ano e entrado em vigor no dia 24 de março de 1981. O Dia Mundial das Zonas Húmidas foi celebrado pela primeira vez em 1997.
A Convenção de Ramsar, considerada o primeiro tratado internacional sobre conservação, tem como objetivo conservar e proteger as Zonas Húmidas e os seus recursos, incluindo as aves aquáticas e os peixes. Atualmente, os países que ratificaram a Convenção definiram já 2 200 Sítios de importância internacional para proteção desses habitats, os quais são denominados por Sítios Ramsar, cobrindo um total de 215 247,837 ha.
O que são as Zonas Húmidas?
As chamadas Zonas Húmidas referem-se a todos os ambientes aquáticos do interior e à zona costeira marinha. São, desta forma, de acordo com a Convenção de Ramsar, "zonas de pântano, charco, turfeira ou água, natural ou artificial, permanente ou temporária, com água estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo águas marinhas cuja profundidade na maré baixa não exceda os seis metros". As Zonas Húmidas podem também “incluir zonas ribeirinhas ou costeiras a elas adjacentes, assim como ilhéus ou massas de água marinha com uma profundidade superior a seis metros em maré baixa, integradas dentro dos limites da zona húmida”.
Sítios Ramsar: o que são?
Os Sítios de importância internacional, ou Sítios Ramsar, que foram definidos no âmbito da Convenção de Ramsar, são habitats reconhecidos como Zonas Húmidas que cumprem critérios de representatividade desses ecossistemas, de biodiversidade de fauna e flora e de importância para a conservação de aves aquáticas e peixes. Portugal criou, até ao momento, 31 Sítios Ramsar em território continental e no Arquipélago dos Açores.
Estuário do Tejo, Ria Formosa, Paul de Arzila, Paul da Madriz, Paul do Boquilobo, Lagoa de Albufeira, Estuário do Sado, Lagoas de Santo André e da Sancha, Ria de Alvor, Sapais de Castro Marim, Paul de Tornada, Paul do Taipal, Planalto Superior da Serra da Estrela, Parte Superior do Rio Zêzere, Polje de Mira Minde e nascentes relacionadas, Lagoas de Bertiandos e de S. Pedro de Arcos e Estuário do Mondego foram dos primeiros Sítios Ramsar criados em Portugal.
Qual é a importância das Zonas Húmidas?
As Zonas Húmidas são ecossistemas únicos e complexos que são fundamentais para assegurar serviços naturais absolutamente essenciais à vida na Terra: promovem a filtragem das águas, fornecem água potável, garantem a produção alimentar, mantêm o equilíbrio dos vários ecossistemas, protegem a biodiversidade, bem como as linhas de costa, sendo igualmente uma peça-chave para atenuar os efeitos das alterações climáticas.
Zonas Húmidas: principais ameaças
As principais ameaças às Zonas Húmidas são a poluição, principalmente com origem nos aglomerados urbanos, setor industrial e agricultura intensiva, com recurso a fertilizantes e pesticidas; incêndios florestais, que promovem a erosão, a destruição da vegetação ribeirinha e a artificialização das margens dos cursos de água; espécies invasoras; drenagem; construção ilegal e atividades recreativas, e ainda o uso de chumbo em munições, que, além de poderem contaminar a água, afetam gravemente as aves aquáticas.
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